O evento "Mulheres Vítimas de Violência Sexual - Qualificando a Assistência" foi realizado no auditório do Hospital Fêmina (HF), nesta quarta-feira, 26 de julho. Referência estadual no tema desde 2015, o HF apresentou-o como um problema de saúde pública, por meio de uma série de palestras.
"Sabemos e lamentamos que a violência sexual tem aumentando, tanto em sua gravidade como no número de casos", disse a gerente de Administração do HF, Denise Jornada Braga. Para ela, além de garantir atendimento multiprofissional e acolhedor a essas pacientes, é um dever do Hospital Fêmina promover a reflexão.
O gerente de Internação, Eduardo Neubarth Trindade, também frisou a importância de debates como este, que cubram todas as áreas médicas, a fim de gerar repercussão pessoal e interfamiliar.
"Direitos Humanos das Mulheres: uma história de violação” foi o tema da palestra ministrada pela promotora de Justiça Ivana Machado Battaglin. A promotora contou que quando entrou no Ministério Público tratava somente de casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Logo então constatou que, ao contrário do que se pensa, a maioria dos casos de estupro ocorre dentro das casas.
"Violência sexual não é uma questão de sexo. É uma questão de poder", declarou ela, destacando que é preciso entender esta dinâmica para começar a resolver o problema. Ivana traçou um histórico de opressões contra a mulher, proveniente de códigos religiosos, legislações e supostas ciências.
"Tudo isso vem da noção de que a mulher tem que atender todos os desejos do homem", problematizou ela, apresentando provas de que casos de violência extrema não ficaram para trás, tais como a prática de mutilação genital, da qual hoje 120 milhões de mulheres foram vítimas no mundo e, até 2030, segundo a ONU, mais 86 milhões passarão por isso.
No Brasil, 5º no ranking mundial de violência contra a mulher, não é diferente. Se contabiliza 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, fora os casos de meninas condenadas ao abuso sexual e ao trabalho doméstico
A naturalização dessa violência, segundo a promotora, é cultural. Ou seja, pode ser revertida. Ela argumenta que basta se perguntar "o que a sociedade entende por mulher? que já adentramos o problema”.
Logo após, profissionais de saúde do Hospital Fêmina seguiram com o evento. A palestra "Aborto legal: Experiência do Hospital Fêmina" foi apresentada pela médica Carolina Pereira. Já “Profilaxia pós-exposição” foi ministrada pelo médico infectologista Mário Peixoto. Representando as psicólogas do HF, Flávia Scheffer e Mylene Geiger falaram sobre Violência Contra a Mulher e Aborto legal
Ao longo do encontro, foram arrecadadas doações à instituição Viva Maria, responsável pela proteção de mulheres vítimas de violência.
Créditos: Lorenzo Leuck.