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09.03.2018 MÊS DA MULHER

Seminário debate condição da mulher na sociedade

Promovido pela Cegênero, evento trouxe à reflexão o enfrentamento à violência contra a mulher a partir de diferentes olhares
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Psicóloga Vitória Bernardes (ao microfone) abordou os direitos das mulheres com deficiência.
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Sandro Franciscatto, Juliane Wincler, Mauro Sparta, Rosângela Vianna Bellos e José Ricardo Agliardi Silveira na mesa de abertura do evento.
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Integrantes da Cegênero/GHC.
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Público lotou o Auditório Jahyr Boeira de Almeida.
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Sônia Mara Bispo, funcionária do Hospital Fêmina, fez uma apresentação musical.

Com objetivo de promover reflexão e enfrentamento à violência contra a mulher, bem como proporcionar a oportunidade de esclarecer informações a respeito da situação das mulheres vítimas de violência aos profissionais da saúde, foi realizado nessa quinta-feira, 8 de março, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, o seminário “O que o 8 de Março Representa?”, evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher.

O evento foi aberto pela mesa composta pelo diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição, Mauro Sparta, pelo diretor administrativo e financeiro do GHC, José Ricardo Agliardi Silveira, pelo gerente de Apoio do Hospital Conceição, Sandro Roberto Franciscatto, pela coordenadora da Participação Cidadã do GHC, Rosângela Vianna Bellos, e pela presidente da Comissão de Gênero do GHC (Cegênero/GHC), Juliane Wincler. Ao saudar as mulheres ao longo das falas iniciais, a mesa lembrou também que 73% dos mais de 9 mil colaboradores do Grupo Hospitalar Conceição são mulheres. Além disso, foi destacado o fato que entre os membros diretivos do GHC há uma mulher: a superintendente Adriana Denise Acker.

Com a condução de Juliane Wincler, o seminário trouxe diferentes olhares sobre a condição da mulher na sociedade, pautado nas lutas por direitos sociais, políticos e econômicos. A presidente da Cegênero lembrou que este foi um primeiro momento de um ciclo de debates que ocorrerão no decorrer do ano e convidou os presentes a participarem da Comissão que atua desde 2009.

A partir de um apanhado histórico, a doutora em Psicologia Social Cris Bruel apresentou marcos na luta das mulheres por equidade social, cultural, política e econômica entre os sexos. Militante do campo contra a desigualdade de gênero há 20 anos e participante do Coletivo Feminino Plural, Cris é conselheira estadual dos Direitos Humanos e membro da Cegênero do GHC.

A segunda fala foi da pedagoga Débora Meert. Pioneira na luta pelo direito das pessoas transgênero, Débora apresentou informações a partir do seu trabalho de conclusão de graduação em Enfermagem. Trabalhadora do Hospital Conceição há 17 anos, ela foi a primeira mulher transsexual a realizar o procedimento de redesignação sexual (adequação de acordo com sua identidade de gênero) pelo SUS. O processo transsexualizador no âmbito do SUS foi autorizado pelo Ministério da Saúde por meio da portaria nº 1707 de 18 de agosto de 2008. O processo, que leva em média dois anos, deve ser realizado em unidade referenciada a fim de avaliar se a pessoa é apta a passar pelo procedimento. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde Débora realizou o seu procedimento, é uma das cinco unidades de referência no país.

Cientista Social formada pela UFRGS e membro da Cegênero/GHC, Vera Beatriz da Cruz, trouxe outro ponto da luta das mulheres em sua fala. "A mulher negra precisa lidar com o machismo e o racismo", lembrou Beatriz. Membro também do Comitê de Bioética do GHC e da Comissão Especial de Promoção da Igualdade Racial do GHC (Ceppir/GHC), ela lembrou que sua atuação em prol das questões raciais foi herdada pela mãe e seguida pela sua filha, de 16 anos, que, na mesma manhã, falava sobre o mesmo tema aos colegas e corpo docente do Colégio Militar Tiradentes em Porto Alegre.

A terapeuta ocupacional da Saúde do Trabalhador do GHC Clori Araújo que fez um resgate histórico da atuação da Cegênero do GHC. Criada em 2008, a Comissão Especial de Gênero do GHC tem como objetivo construir com o conjunto de trabalhadores, um olhar sobre o papel das mulheres no trabalho e na sociedade, buscando romper os padrões existentes que as desqualificam, oprimem e descriminam.

A última fala do evento foi da psicóloga Vitória Bernardes, ativista pelos direitos das mulheres com deficiência. "Mesmo a integralidade sendo um dos princípios do SUS, as mulheres com deficiência são resumidas ao seu CID (Classificação Internacional de Doenças). Ainda temos nossos direitos sexuais e reprodutivos ignorados e violados, inclusive por profissionais da saúde", comentou a psicóloga. "Todas e todos precisam se responsabilizar pela ruptura desse modelo capacitista que nos violenta diariamente", falou Vitória.

O evento encerrou com uma homenagem a Carla Baptista, ex-funcionária, coordenadora da Comissão dos Direitos Humanos do GHC e presidente da Cegênero, falecida em julho do ano passado. Um vídeo com imagens da funcionária foi apresentado com uma performance musical de Sônia Mara Bispo, funcionária do Hospital Fêmina.

Créditos: Bruno de Barros.