Realizada anualmente, a Jornada Científica do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) visa promover a divulgação da pesquisa científica elaborada no GHC e estimular o debate sobre essa produção. Organizada pela Gerência de Ensino e Pesquisa do GHC (GEP / GHC), a Jornada chega em sua sétima edição. A abertura do evento foi realizada nesta quarta-feira, 18 de abril, no auditório Jahyr Boeira de Almeida.
A mesa de abertura contou com as presenças do diretor técnico do GHC, Mauro Sparta, do diretor administrativo e financeiro do Grupo, José Ricardo Agliardi Silveira, e do Coordenador de Pesquisa da GEP / GHC, Sérgio Sirena, representando a Gerência de Ensino e Pesquisa. O diretor administrativo e financeiro destacou que a atual diretoria tem uma concepção muito clara no papel que o ensino e a pesquisa tem para o desenvolvimento da instituição. "Para acenar à comunidade - que é o motivo da nossa existência - que quer se desenvolver e crescer, a instituição precisa dar sinais que desenvolve ações de ensino e pesquisa e, mais do que isso, colocar recursos e aportes financeiros nesse campo, o que viemos buscando neste período" destacou Agliardi. "Isso faz parte do aperfeiçoamento da assistência, que é a nossa vocação maior" pontuou Mauro Sparta. O diretor técnico ainda adiantou outras ações que estão em curso e que serão realizadas em breve pelo GHC na área de ensino e pesquisa.
Sirena destacou em sua fala inicial a natureza diversa dos trabalhos que serão apresentados durante os próximos dois dias de evento. "São testemunhos da riqueza que é a instituição GHC como campo de pesquisa e de estudo para as questões da saúde" falou o coordenador, que destacou também a característica multidisciplinar da Jornada. "Temos trabalhos de diversas profissões contempladas. A gente sabe que no Sistema Único de Saúde (SUS) o desenvolvimento do conhecimento dos marcos teóricos é necessariamente multidisciplinar" lembrou o coordenador.
O painel de abertura promoveu o encontro da Dra. Sílvia Stanisçuaski Guterres, diretora do Centro de Nanociência e Nanotecnologia da UFRGS e do Dr. Pedro Dal Lago, substituto do Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFCSPA. A partir do tema central "Pensando a Pesquisa", os convidados apresentaram dados sobre a pesquisa científica no Brasil.
"Se a gente não produz ciência e não a divulga aos pares, indexadas em periódicos de boa qualidade, a chance de continuar captando recursos para que as pesquisas aconteçam, diminui". Com este apontamento, a Dra. Silvia Guterres mostrou o norte de cientistas e pesquisadores no mundo para captarem recursos: as publicações. "Hoje a métrica que se tem é o financiamento baseado não apenas na performance, mas no número de citações" pontuou.
Conforme Guterres, essa determinação da capacidade de alavancar fundos para pesquisa científica traz uma contradição porque no final é preciso responder: "Para que serve a ciência?". A pesquisadora trouxe dados como o do aumento de pesquisadores no Brasil nos últimos 10 anos. Segundo dados do CNPQ em 2004, o Brasil contava com mais de 77 mil pesquisadores, número que chegou em mais de 180 mil em 2014. Em 1998 o Brasil ocupava a posição de número 20 no mundo em pesquisa científica, com 12 mil artigos científicos publicados. Em 2017 o país ocupava a posição número 13, com 74 mil artigos científicos publicados.
O coordenador de Pesquisa da UFCSPA, Pedro Dal Lago destacou que "apesar do Brasil ter aumentado muito a sua produção científica, ainda não se consegue traduzir essas novas informações em benefício da comunidade". Dal Lago lembrou a distância entre o aumento do número de publicações e o efetivo resultado que o aumento da produção científica traz para a população. Segundo o professor, além da população brasileira não conhecer exatamente o que a ciência representa - "o que dificulta na aplicabilidade na comunidade de um novo conhecimento" -, menos de 1% dos artigos publicados tem colaboração com o setor produtivo.
Dal Lago mostrou ainda que o impacto da produção científica está abaixo da média mundial. Para ele, o aumento da produção brasileira se deve muito em função da exigência dos sistemas de avaliação, principalmente dos programas de pós-graduação brasileiros. Por vezes, o número de publicações aumenta sem se preocupar com a qualidade, criando artigos de menor impacto. "Nos outros países do mundo se consegue fazer isso de forma um pouco mais tranquila. No Brasil ainda existe uma distância muito grande entre esse aumento no número de publicações científicas e o efetivo resultado" apontou o pesquisador.
O evento encerrou com espaço para perguntas e trocas com os presentes. A 7ª Jornada Científica do GHC segue com programação durante a quinta feira, dia 19, e sexta feira, dia 20 de abril, com a apresentação de 38 trabalhos de estudantes e trabalhadores do GHC. Confira a programação completa no link abaixo.
Créditos: Bruno de Barros