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21.05.2018 ATENÇÃO À MULHER

Conheça o serviço de atendimento à mulher vítima de violência do Hospital Fêmina

Reconhecido pela Secretaria Estadual da Saúde, atendimento é referência em atenção às pessoas vítimas de violência sexual
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Acolhimento é realizado na emergência do hospital.
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Fêmina oferece atendimento multiprofissional às vítimas de violência.

O acolhimento à mulher vítima de violência exige atenção especial. Com esse princípio, o Hospital Fêmina vem implantando procedimentos e protocolos na busca de prestar um melhor atendimento a mulheres nessa situação. O serviço oferecido conta com acolhimento, acompanhamento médico e pós-traumático, por meio de uma equipe multiprofissional formada por médicas, enfermeiras, psicólogas, psiquiatras e assistentes sociais. Recentemente o Hospital Fêmina foi reconhecido como referência em atenção às pessoas vítimas de violência sexual pela Secretaria Estadual de Saúde.

Para os casos de violência sexual, o atendimento clínico atua em três frentes básicas: a diminuição do risco de gravidez indesejada; o controle de contaminação por uma doença sexualmente transmissível e a redução do dano psicológico da vítima. "Se percebeu ao longo do tempo, que nós precisávamos oferecer esse serviço de forma mais especializada. Vimos que é importante ter um treinamento mais adequado e focado para essa área", comenta o gerente de internação do HF, Eduardo Neubarth Trindade. "São casos que chegam pela emergência, logo, toda a equipe precisa estar preparada para conseguir compreender a complexidade de cada um", pontua o gerente.

O Hospital Fêmina está estruturado para atender estas três frentes em tempo integral. O acolhimento é realizado pela equipe da emergência que avalia a necessidade de encaminhamento ao atendimento com infectologista, psiquiatra, psicólogo e assistente social. A sensibilização das equipes de atendimento é o ponto de partida pela estratégia do serviço. É importante que todos tenham consciência da urgência dos prazos para cada caso. A fim de evitar uma gravidez indesejada ou para conter uma infecção por doença sexualmente transmissível o ideal é que a paciente receba o tratamento em até 72h.

Assunto ainda é tabu

Falar sobre uma violência doméstica ainda é tabu para muitas mulheres. Durante o atendimento inicial, caso a mulher informe ser vítima de violência, o profissional relaciona o Código Internacional de Doenças (CID) correspondente. Isso facilita na hora do atendimento pelo médico, além de evitar a revitimização ao fazer que a pessoa conte por várias vezes as causas que a levaram buscar atendimento.

Regularmente são realizados momentos de reflexão sobre o atendimento prestado e as formas de acolhimento à vítima. Propostas pela Comissão de Assistência às Mulheres Vítimas de Violência Sexual do Hospital Fêmina (CAMVVS - HF), as atividades alcançam não só colaboradores do HF como de todo o Grupo Hospitalar Conceição (GHC). A comissão multiprofissional, formada por médicas, enfermeiras e assistentes social, é presidida pela Gerente de Administração do HF, Denise Maria Jornada Braga.

Entre os trabalhos realizados pela comissão, destaca-se o seminário Mulheres Vítimas de Violência Sexual: Qualificando a Assistência. Com três encontros realizados no último ano, o evento é articulado em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Porto Alegre e reúne representantes do Ministério Público, das polícias Civil e Militar, para discutirem a assistência à mulher.

A partir das discussões abrem-se novas leituras sobre as possibilidades de melhoria no atendimento prestado pelo grupo. Neste momento, foi iniciado o diálogo entre o HF e a Gerência de Saúde Comunitária do GHC, a fim de estruturar a qualificação dos agentes comunitários de saúde. "Se 70% das mulheres vítimas de violência são agredidas por pessoas conhecidas e em casa, é preciso qualificar os agentes que entram nas casas das pessoas para que aprendam a olhar para este quadro e dar o correto encaminhamento", pontua Denise Braga. "Nós, enquanto GHC, temos a possibilidade de dar um salto ao integrar os saberes e dividir expertise em prol de um atendimento mais humanitário, que permita ainda a economia dos recursos públicos", comenta a gerente.

Esta qualificação visa também o alcance de um público que fica a margem. "Paciente pobre e da periferia não sabe o que nós fazemos. Nem em termos de aborto previsto em lei, nem em termos de atendimento à vítima de violência sexual", revela a médica ginecologista e membro da CAMVVS Carolina de Castro Pereira. "Se nós formos fazer um estudo socioeconômico sobre as pacientes que acessam este serviço do Hospital Fêmina, tirando as prostitutas - que recebem orientação -, nós teremos apenas mulheres com ensino superior. O esforço é para que as pessoas entendam que o Fêmina é um hospital 100% SUS a serviço de todas", explica a médica.

Casos são documentados

Diferente dos hospitais de pronto socorro, o HF não conta com posto da Polícia. Nos casos em que a paciente informa a violência, além do atendimento clínico, ela é orientada a buscar uma delegacia e fazer o boletim de ocorrência (BO). Respeitado o direito da paciente em fazer ou não o BO, o hospital fornece um boletim de atendimento específico para vítimas de violência. O documento que reúne informações específicas sobre a violência, foi construído por médicos do HF com orientação do Departamento Médico Legal e implantado desde 2013. "Caso ela opte por não realizar o registro em uma delegacia, ela terá neste documento uma prova concreta do tamanho da ofensa física e da agressão sofrida, para substanciar uma ação futura", explica a gerente de Administração do HF, Denise Maria Jornada Braga.

A gerente aponta ainda para os baixos números de registro. "O sub-registro é uma realidade terrível. As mulheres ainda hesitam em denunciar". O gerente de Internação do HF, Eduardo Neubarth Trindade, reforça a preocupação, pois pacientes estão deixando de serem atendidas. "Provavelmente temos gravidez indesejada em um número muito maior do que se imagina, talvez por desconhecimento ou por medo. A gente sabe que esses números são maiores e temos capacidade de atendimento", alerta Trindade.

A vítima de estupro tem legalmente até 22 semanas para passar pelo processo de aborto legal. "Desde que ela esteja informada, respeitado os critérios médicos e o tempo legal, ela só vai ter a criança se ela quiser. Se ela não quiser, ela é dona do seu corpo e nós temos a possibilidade de assistir esta vítima", conclui Denise Braga.

Créditos: Bruno de Barros