Foi realizado nesta quarta-feira, 25 de julho, no Galpão da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (Aserghc), o sarau alusivo ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Promovida pela Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Grupo Hospitalar Conceição (Ceppir/GHC), a atividade integrou o Seminário Mulheres Negras que Transformam o Mundo, em sua terceira edição.
Conduzido pela jornalista Renata Lopes, o encontro recebeu, ao longo da tarde, funcionários, ex-funcionários e convidados. Em sua fala, o presidente da Ceppir/GHC, Celso Procópio, saudou sua ancestralidade, nas figuras de sua mãe, avó e bisavó, "uma negra escrava que foi alforriada", disse o presidente. "Até pouco tempo, nossa família tinha a carta de alforria de minha bisavó", lembrou Procópio. A coordenadora do Centro de Resultados Participação Cidadã, Rosângela Viana Bellos, em sua fala, destacou que a data de 25 de julho é para reflexão e para fortalecer as organizações voltadas às mulheres negras. "Porque ainda hoje muita gente não reconhece a importância da mulher negra na história", pontuou Rosangela sobre a importância do reconhecimento.
No sarau, foram apresentados pelos participantes poemas falados e cantados de autoras negras como Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Dona Ivone Lara. O ambiente também serviu de espaço para reflexão pelos participantes sobre o papel da mulher negra na sociedade e na instituição. Parceiro da Ceppir/GHC em muitas atividades, Bábà Diba de Iyemonjà também participou da atividade. Em sua fala, o babalorixá agradeceu a oportunidade de participação em mais uma atividade. "Sempre que me convidam, busco estar aqui, a fim de valorizar, combater o racismo e pela defesa incondicional do Sistema Único de Saúde (SUS)", falou. Sobre a data, Bábà Diba lembrou da importância, por ser o Dia da Mulher Negra. "E nós sabemos o quanto as mulheres negras são responsáveis pela manutenção da nossa tradição de matriz africana, sobretudo no Brasil", pontuou o babalorixá. Um sopão foi oferecido por um grupo de produtores de agricultura familiar e servido aos participantes.
Em 1992, durante o primeiro encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, realizado na cidade de Santo Domingos, na República Dominicana, a data de 25 de julho foi instituída como Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha, a fim de chamar atenção para problemática do racismo, preconceito e situação de inferioridade em relação às mulheres brancas. A ONU reconheceu a data no mesmo ano, com objetivo de visibilizar a luta destas mulheres no continente. Em 2014, foi instituído pelo governo brasileiro, a partir da Lei Nº 12.987, de 2 de Junho, o Dia Nacional de Tereza Benguela e da Mulher Negra, a ser comemorado anualmente também em 25 de julho.
Créditos: Bruno de Barros.