Foi realizada na manhã desta quarta-feira, 26 de setembro, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo GHC, a palestra Morte Súbita e Marcapasso. Promovida pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artifical (Deca) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardíaca, a palestra foi alusiva ao Dia do Portador de Marcapasso, lembrado em 23 de setembro.
Participaram da mesa de abertura o diretor administrativo e financeiro do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) José Ricardo Agliardi Silveira, a enfermeira Graziella Gasparotto, que representou a Gerência de Unidades de Internação do HNSC, e o médico cirurgião cardíaco do Hospital Conceição e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardíaca Nei Antonio Rey, responsável pelo evento.
Entende-se por morte súbita casos não traumáticos, não violentos, considerados fatalidade inesperada resultante de parada cardíaca súbita, em até 6 horas de início de sintomas, em indivíduo que goze de perfeita saúde.
Em sua abordagem, o médico Nei Antonio Rey falou sobre as principais causas de morte súbita e as ações a fim de melhorar o prognóstico deste acontecimento para pessoas normais. Segundo o médico, 90% dos casos de morte súbita têm causas cardíacas. Acidente vascular cerebral (AVC), trombose da artéria pulmonar e doenças que causem o rompimento aorta, maior e mais importante artéria do sistema circulatório do corpo humano, são exemplos de casos não cardíacos responsáveis por 10% dos casos de morte súbita.
O médico apontou que hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito, dislipidemia, doença de chagas e o tabagismo são fatores de risco para morte súbita. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a morte súbita ocasionada por cardiopatia isquêmica é líder de óbitos no mundo, sendo responsável no Brasil por 30% dos óbitos. O número supera a quantidade de mortes em decorrência da Aids, acidentes automobilísticos e de homicídios.
Prevenção e tratamento
Nei Antonio Rey ainda falou sobre a importância da prevenção e educação a fim de evitar o acontecimento. O cardiologista apontou que menos de 10% sobrevivem aos casos de mal súbito. Para cada minuto de demora de atendimento, aumenta 10% a chance de morte. Dores no peito, tontura ao fazer esforço, cansaço ao praticar exercícios, palpitações e histórico de drogas são fatores que apontam a necessidade do cuidado ao evento, que podem ser monitorados. "Ecocardiograma, eletrocardiograma, holter, que monitoriza o ritmo cardíaco por 24 horas, são recursos para monitorar a chance do evento de mal súbito. Além destes, há o monitor de eventos, que serve para monitoração de longos períodos em casos em que o doente tem síncope, por exemplo, e mesmo com o holter não se detecta qualquer alteração", explicou o médico.
O marcapasso é um dispositivo de aplicação médica que tem o objetivo de regular os batimentos cardíacos. Indicado para os casos de pacientes com bloqueio atrio-ventricular total, quando o batimento cardíaco pode alcançar entre 25 e 40 batidas por minuto e que estão sujeitos a sofrer parada cardíaca. Conforme o cardiologista, 68% destes casos permanecem vivos em um ano sem uso de marcapasso. Com implante de marcasso, a sobrevida é de 93%. A prática regular de exercícios, alimentação adequada, assim como evitar o tabagismo são fatores preventivos para estes casos.
Créditos: Bruno de Barros.