A partir desta segunda-feira, 1º de outubro, as usuárias do Hospital Fêmina (HF) começam a ser impactadas pela mostra Bombardeio de Fios. Foi realizado nesse domingo, 30, um mutirão que reuniu funcionários e parceiros da instituição para a instalação das rosas produzidas ao longo do último mês.
Inspirada na técnica de arte urbana Yarn Bombing, o projeto que enfeita as áreas externas e de circulação do hospital, buscava alcançar o objetivo de 5.110 rosas em lã, produzidas em tricô ou crochê. A meta foi baseada na previsão do Instituto Nacional do Câncer (Inca) de novos casos de câncer de mama no Rio Grande do Sul, em 2018. Contudo, com a colaboração de pessoas de três estados, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, o projeto teve a meta triplicada, alcançando o total de 16.662 rosas confeccionadas.
A idealizadora da ação, a médica da UTI Neonatal do HF Suzette Saraiva, falou sobre a etapa. "A proposta do projeto é a prevenção do câncer de mama, então acredito que fomos muito bem sucedidas, envolvendo as pessoas e fazendo com que dedicassem tempo à causa em uma ação pontual que deve alertar ao cuidado permanente da mulher", falou Suzete. A médica, que, desde o início do projeto, se manteve positiva quanto ao alcance da meta, também falou sobre o desafio de manter o grupo em torno de ações em prol de gerar impacto positivo. "Eu acredito que as pessoas são boas e que elas precisam de um motivo para demonstrar. Tudo o que eu tenho escutado das colegas é 'o que nós vamos fazer agora?', então adianto que seguiremos em grupo para pensar a próxima ação", destaca Suzete.
A técnica administrativa responsável pelo suporte à ação, Joana Jobim avalia que a condução do projeto pela proponente junto aos funcionários do hospital foi decisiva para o engajamento das pessoas e sucesso da ação. "A Suzete é muito querida no hospital e isso se multiplicou dentro hospital, com familiares e depois se expandiu". Ela ainda destacou o incentivo de um hábito. "As pessoas largaram os celulares e passaram a tecer. Acredito que, ao tecer uma rosa, estavam também tecendo desejos de saúde para nossas pacientes, teceram sonhos e amor", falou Joana.
Participaram do mutirão funcionários de diversos setores do hospital, além de usuárias e representantes do grupo de voluntariado do Sesc-RS. Conforme a coordenadora técnica do trabalho social com idosos do Sesc-RS, Michele Silveira, as mulheres presentes representaram o trabalho de 77 grupos ativos no Estado. Com objetivo de criar um novo significado para o envelhecimento humano, por meio do engajamento em causas sociais que tragam retorno para a sociedade, o grupo sozinho foi responsável por uma produção que superou a meta com 5.356 rosas confeccionadas entregues.
A gerente de Administração do HF, Denise Maria Jornada Braga, presente no mutirão, falou sobre a ação. "Pra mim, o que fica, de forma muito forte, é que cada pessoa engajada quer fazer parte desse movimento para que todas nós não tenhamos câncer de mama. Cada rosa traz a mensagem 'eu não quero ter, e não quero que nenhuma mulher tenha'", falou Denise. O gerente de Internação do HF, Eduardo Neubarth Trindade, também falou sobre a importância da ação. "Esta intervenção é mais um ponto de humanização do atendimento da instituição, para usuárias e funcionárias, pois quem atende o paciente oncológico também sofre muito. É comprovado por estudos que, quanto mais a pessoa estiver com espírito e ânimo elevados, mais chances de alcançar um bom resultado do tratamento, então chegar ao hospital e ver esta grande exposição pode ser um incentivo de força e atenção para o tratamento e prevenção", explicou o gerente.
A abertura oficial da mostra será realizada na próxima quinta-feira, 4 de outubro, quando uma cerimônia interna marca os 53 anos do HF. A partir do dia 30 de outubro, até o dia 1 de novembro, quando a mostra será desmontada, as usuárias e funcionárias que desejarem poderão levar as rosas para casa. Até lá, a gerência da instituição orienta que não retirem as rosas em exposição.
Créditos: Bruno de Barros.