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26.11.2018 CONSCIÊNCIA NEGRA

Promovida pela Ceppir GHC, Comenda João Cândido 2018 é entregue a destaques

Honraria é cedida a pessoas e entidades que se destacaram na promoção de políticas de igualdade racial
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Agraciados com a Comenda João Cândido.
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Presidente da Ceppir/GHC, Celso Procópio, destacou pioneirismo do GHC.
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Evento também homenageou funcionários do GHC. São eles José Antonio...
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...o grupo de funcionários da Unidade Barão de Bagé, com o projeto Palavras Negras...
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... e Michael Brum.

A 14ª edição da premiação da Comenda João Cândido Felisberto 2018, o “Almirante Negro”, conferida pela Comissão Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial do Grupo Hospitalar Conceição (Ceppir/GHC), ocorreu na noite da última quinta-feira, dia 22 de novembro. Promovido pelo Centro de Resultados Participação Cidadã, o evento reuniu cerca de 250 pessoas na Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS). A Comenda João Cândido tem o objetivo de reconhecer trabalhos desenvolvidos por pessoas ou entidades na afirmação dos direitos da população negra.

Na abertura da cerimônia, estavam presentes a coordenadora do Centro de Resultados Participação Cidadã do Grupo Conceição, Rosangela Vianna Bellos, representando a diretoria do Grupo, o presidente da Ceppir/GHC, Celso Procópio, e as coordenadoras da Ceppir/GHC, Franquilina Cardoso e Maria Geneci Macedo Silveira. Para Celso Procópio, a premiação é um reconhecimento às ações relevantes que são feitas para a comunidade negra. “O GHC é uma instituição que tem quase 10 mil funcionários e luta diariamente com o combate ao racismo. Somos pioneiros na assistência espiritual de matriz africana e a primeira instituição a aderir às cotas raciais”, destacou Procópio.

A coordenadora do Centro de Resultados Participação Cidadã da instituição, Rosangela Bellos, comentou sobre a importância do evento ao prestigiar pessoas que lutam por uma sociedade mais justa, solidária e igualitária. “A responsabilidade do GHC, uma instituição 100% SUS, é de trazer sempre um atendimento de qualidade e humanizado, respeitando a integridade física, emocional, religiosa e cultural de todos, sem distinção de raça, cor ou qualquer outro tipo de discriminação. Ou seja, devemos respeitar os direitos dos pacientes, funcionários e usuários, respeitando o código de ética e conduta da instituição”, apontou Rosangela.

A honraria ocorreu em solenidade durante a Semana da Consciência Negra e agraciou com troféu - um busto em miniatura de João Cândido, confeccionado em terracota pelo artista plástico Nilton Antônio Maia - quatro pessoas e entidades nas categorias: Educação, Cultura, Esporte, Religiosidade e Movimentos Sociais:

Na categoria Educação, o vencedor foi o grupo Coletivo Quilombola, da Escola Municipal Alberto Pasqualine, do Bairro Restinga. O grupo é formado por professoras da Rede Municipal de Porto Alegre, que criam discussões no ambiente escolar sobre a negritude e seus atravessamentos políticos, identitários e subjetivos, diante de situações levantadas por alunos e professores. A execução desse projeto parte de um diálogo articulado com o grupo de professores e direção da escola, permeando entre várias disciplinas, que se somam às ações propostas, provocando a reflexão e o protagonismo dos alunos em suas várias formas de expressão.

Já na categoria Esporte, quem levou o busto foi o Grupo Canela Preta. Eles tiveram um papel fundamental na promoção e visibilidade da população negra local. O grupo faz parte da Liga Nacional de Foot-Ball Porto-Alegrense, criada em 1920, que une times de futebol da periferia, formados, na sua maioria, por jogadores negros que eram impedidos de participar das competições oficiais.

A Comunidade Morada da Paz foi a homenageada na categoria Cultura. Fundada em 2003 no município de Triunfo/RS, a comunidade vem desenvolvendo um trabalho dedicado a recuperação da história, da cultura e da memória ancestral afro-brasileira. Atua junto a escolas e universidades do município e da região realizando palestras, oficinas e possibilitando vivências no território de Mãe Preta, tendo como propósito fortalecer a identidade e o autoconhecimento das origens do povo negro.

Na categoria Religiosidade, a Associação Nacional Cultural de Preservação Bantu-Acbantu foi o destaque. A associação atua há 18 anos estimulando a união de pessoas e grupos a fim de dar visibilidade à história da civilização negra brasileira. Bantu-Acbantu resgata as tradições, promove e incentiva ações culturais, buscando garantir os direitos dos povos e comunidades tradicionais afrodescendentes, em especial aos povos de terreiro do Brasil. Composta por mais de 3.800 povos de terreiro de diversas etnias e 48 comunidades quilombolas em 17 Estados brasileiros, além de Comunidades Extrativistas e de Pescadores Artesanais, Grupos Culturais de Capoeira Angola e Sambas de Roda.

A última homenageada da premiação Comenda João Cândido 2018 foi Marisa da Silva, na categoria Movimento Social. Atuante nos movimentos sociais desde os anos 80, sua representação política é pautada na luta contra o racismo, o machismo, o respeito aos direitos humanos e no direito à cidadania plena para todos. No seu trabalho voltado na luta contra os direitos de viver das mulheres, ela é Promotora Legal Popular. Sua luta se direciona a um novo modelo de sociedade - mais justa e igualitária - levando nas suas propostas os anseios do povo negro, em defesa de um estado laico e liberdade religiosa e respeito aos direitos humanos.

Além das premiações, o evento também comemorou os 15 anos da CEPPIR-GHC e contou com a entrega de certificados Ubuntu em homenagem a trabalhadores do GHC que realizaram ações relevantes na promoção da igualdade racial. Os destaques foram: o grupo de funcionários da Unidade Barão de Bagé, com o projeto “Palavras Negras”; José Antonio, representando Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (Aserghc); e o produtor da banda Samba do Rodo, Michael Brum. Logo após essas homenagens, o poeta Bruno Negrão realizou uma intervenção cultural, contou para um público um slam (poemas recitados em campeonatos de poesia - Poetry Slam) de sua autoria que reflete a situação dos negros na sociedade.

João Cândido Felisberto

O Almirante Negro como ficou conhecido ao entrar na História do Brasil por ter liderado a Revolta da Chibata, ocorrida em 1910, contra os castigos físicos impostos aos marinheiros da época. Nascido no Rio Grande do Sul, em 1880 e filho de ex-escravos, João Cândido entrou para a Marinha aos 14 anos.

Créditos: Guilherme de Faveri