Com o objetivo de atender à necessidade de ampliação de Laboratório Clínico do Hospital Conceição para realizar o diagnóstico da tuberculose, uma Parceria Público-Privada entre o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o Instituto de Pesquisa em Aids do Rio Grande do Sul (Ipargs) viabilizou a criação do Laboratório de Tuberculose. A inauguração ocorre no dia 11 de dezembro, às 9h, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo GHC. Conforme explica o presidente do Ipargs, Breno Riegel Santos, médico infectologista e chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Conceição, manipular a cultura de tuberculose é perigoso, devido ao alto grau de infecção do bacilo causador da doença. Por isso, é necessário que o laboratório seja de nível 3 de proteção - NB 3, ou seja, com máxima segurança, possuindo pressão negativa - o ar de dentro do laboratório não poder sair do local - e capelas de fluxo.
A criação desse ambiente com pressão negativa gerou a necessidade de reforma do Laboratório Clínico, assim foi adaptada a área onde funcionava o Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) para a construção do Laboratório de Tuberculose. A obra foi custeada com verba internacional, uma doação feita pelo Instituto de Pesquisa em Aids da Universidade da Califórnia (UCLA), dos EUA, por meio do Ipargs.
De acordo com Santos, a iniciativa é de grande importância tendo em vista que Porto Alegre é a capital brasileira com o maior coeficiente de incidência da doença, com 99 casos para cada 100 mil habitantes. O valor médio nacional é de 33 casos para cada 100 mil habitantes. O Brasil faz parte do grupo dos 22 países de alta carga priorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo, ocupando a 16ª posição em número absoluto de casos. Com o diagnóstico e o tratamento adequados, é possível curar a doença.
Para o médico pneumologista do Hospital Conceição Roberto Targa Ferreira, com um laboratório desse nível, o GHC tem a possibilidade de ser referência terciária para tuberculose no Estado. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem apenas o Hospital Sanatório Partenon. Ferreira lembra que, em Porto Alegre, 30% dos casos de tuberculose são coinfectados com o vírus HIV. No Brasil, são cerca de 10% dos casos coinfectados.
Conforme a coordenadora do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Conceição, Andréa Cauduro Castro, no ano de 2017, o setor identificou um total de 188 culturas positivas, sendo 89,2% integrantes do Complexo Mycobacterium tuberculosis (CMT) e 10,8% das amostras sendo não tuberculosis (NMT). Estes dados, segundo ela, demonstram a importância de se poder verificar com mais rapidez o perfil de sensibilidade destas cepas. E é neste contexto que se insere o novo Laboratório da Tuberculose do GHC. Com as novas instalações, a instituição estará apta a realizar, com segurança, esta técnica do antibiograma, podendo abreviar o tempo de resposta, que hoje gira em torno de 60 dias, para algo em torno de 30 a 35 dias.
Créditos: Andréa Araujo (Texto). Guilherme de Faveri (Fotos).