Foi realizada na quarta-feira, 19 de dezembro, no auditório Jahyr Boeira de Almeida do Centro Administrativo do Grupo Hospitalar Conceição a palestra The Global HIV Response: Early, Current and Future Responses apresentada pelo médico epidemiologista inglês Eduard J. Beck. Promovido pelo Serviço de Infectologia do Hospital Conceição (HNSC), o evento foi coordenado pelo chefe do Serviço de Infectologia do HNSC, Breno Riegel Santos que abriu o encontro expressando alegria pelo privilégio em contar com a participação de Beck. A palestra foi alusiva ao Dezembro Vermelho, mês de conscientização para prevenção a AIDS.
Pesquisador aposentado pela UNAIDS em Londres, o médico Eduard J. Beck atua como consultor em epidemiologia e saúde global na ONG National Prospective Monitoring System on Use, Cost and Outcome of HIV Service Provision in English Hospitals.
Em sua palestra, Beck abordou aspectos atuais e perspectivas futuras da AIDS no mundo e no Brasil. O médico lembrou a plateia das mudanças de orientação ocorridas no seio da OMS, que no início dos anos 1980, minimizava a importância da epidemia como afetando apenas países ricos, os quais teriam a resposta adequada a suas populações. Entretanto, segundo Beck, logo admitiu-se o engano ao ficar claro o aspecto pandêmico da infecção, e que mais que países ricos, os mais pobres eram os mais afetados. "Daquela época em diante, o envolvimento das nações aumentou exponencialmente, fazendo com que atualmente a sobrevida das pessoas com HIV em tratamento, seja a mesma de quem não tem HIV", falou Beck.
O pesquisador trouxe dados que apontam a existência de 2,2 milhões casos de AIDS na América do Norte e Europa Central; 1,8 milhões na América do Sul; 310.000 mil no Caribe; 1,4 milhões no Leste Europeu; 19,6 milhões no Sul da África, entre outros locais. No mundo, estima se o número de 36,9 milhões de pessoas vivendo com HIV. Por último, acentuou que mesmo sendo importante, a estratégia 90-90-90 encontra-se longe de dar a necessária resposta.
Beck discutiu o fato de que há pelo menos dois indicadores da estratégia 90-90-90 da UNAIDS a serem considerados: um "clínico" que indica a porcentagem de pessoas vivendo com hiv (PVHIV) em terapia antirretroviral (TARV) que são suprimido viralmente e um "programático" 90-90-90 que indica a porcentagem de todas as PVHIV em um país que é viralmente suprimido. "É importante estar ciente de que estes são indicadores diferentes, sendo usados para indicar diferentes 'sucessos', ou seja, sucessos clínicos e programáticos, respectivamente, e não podem ser usados de forma intercambiável", explicou o pesquisador.
Créditos: Bruno de Barros