Nesta época do ano, as praias brasileiras recebem turistas que se deslocam de outras cidades para aproveitar o período de férias e as altas temperaturas, como ocorre no litoral gaúcho. No entanto, os acidentes com cnidários (águas-vivas e caravelas) são cada vez mais recorrentes. Ao todo, só no litoral gaúcho, já foram mais de 28 mil acidentes registrados entre 15 de dezembro de 2018 e 1º de janeiro deste ano, conforme dados divulgados pela Operação Verão, do Corpo de Bombeiros.
Diante dessa ameaça conhecida pelos banhistas, é preciso ter cuidado com os procedimentos a serem realizados após os acidentes com as águas-vivas para não piorar o quadro de dor e agressão à pele. O médico dermatologista do Hospital Conceição Paulo Andrade explica que o mais indicado para o tratamento da dor é colocar, num primeiro momento, compressas de água marinha gelada. “Também compressas com vinagre se mostram efetivas no tratamento. O ideal seria alternar os dois procedimentos”, esclarece.
Ainda de acordo com Andrade, considera-se mito colocar urina no local, e o uso de água doce para lavar é contraindicado, uma vez que pode disparar nematocistos íntegros, que são o sistema de defesa do animal, podendo piorar o quadro. Expor o local atingido ao sol também não é adequado, porque a ação agressora que a radiação solar tem sobre a pele soma-se à acometida pela peçonha da água viva.
As marcas na pele, segundo Paulo Andrade, se apresentam como uma dermatite no formato dos tentáculos ou filamentos que a água-viva apresenta. No caso das caravelas, por exemplo, são tentáculos longos. A intensa dor no local é causada pela peçonha neurotóxica e cardiotóxica, presente nos cnidócitos, que são células utilizadas para captura de presas e para a autodefesa.