Em época de pandemia, atitudes de solidariedade e criatividade surgem como destaque na tentativa de passar pelas dificuldades que o vírus impõe. Professora na área da educação especial, Rosa Amara Pereira, é um exemplo disso. Rosa idealizou máscaras que permitem a visualização da boca, com o intuito de ver as pessoas sorrirem e também de facilitar a comunicação de pessoas com deficiência auditiva. A professora contou que a ideia surgiu após a prefeitura de Araricá, cidade onde mora, organizar uma gincana com a intenção de incentivar a população a criar máscaras diferentes como proteção contra o coronavírus.
Rosa, que é paciente do Hospital Fêmina (HF), faz tratamento paliativo para um câncer de mama metastático, o que não a impede de sorrir e seguir trabalhando. Ela declarou que ao tirar uma foto percebeu que a máscara escondia seu sorriso e, como professora na área de educação especial, constatou que sua expressão facial era prejudicada, o que certamente dificulta na compreensão de pessoas que dependem de leitura labial para se comunicar. A professora acha importante, nesse momento, poder ver o sorriso das pessoas. "O sorriso pode mudar o mundo", declarou Rosa.
A paciente que iniciou a confecção das máscaras utilizando crochê como material base, além do acetato que é a parte transparente da peça, agora, está utilizando TNT para que a produção seja mais rápida. Ela informou que não está vendendo, que faz as máscaras para quem quiser sorrir e já distribuiu algumas para suas "colegas" de quimioterapia. A coordenadora de Oncologia do Hospital Fêmina, Christina Oppermann, declarou que a atitude de Rosa é bem positiva e que é importante o sorriso e mostrar que está bem. Christina também informou que muitas pacientes mesmo em tratamento paliativo com a doença controlada podem seguir suas atividades de vida normais e com qualidade de vida, devido às muitas opções de tratamento que existem atualmente.
A coordenadora afirmou que o HF tomou todas as medidas para assegurar a proteção dos pacientes, com a construção da tenda de triagem para o Covid-19, orientando o espaçamento entre os pacientes e evitando aglomerações. Ela também destacou que o serviço de Oncologia seguiu funcionando normalmente e que, mesmo com a pandemia, os pacientes oncológicos não devem parar o tratamento, pois ele é muito importante no controle da doença. Rosa é um exemplo disso, ela segue realizando seu tratamento e sempre sorrindo procura pontos positivos neste momento delicado. "Pelo menos pandemia rima com alegria, então por que não sorrir?", disse a paciente.
Créditos: Marcus Oliveira