Profissionais da Saúde Mental – psicólogos, psiquiatras e residentes de Psiquiatria - do Hospital Conceição realizaram um trabalho de intervenção focal na crise do novo coronavírus com trabalhadores da Emergência, da UTI e da Internação Covid-19. Durante quase dois meses, eles realizaram 83 grupos de intervenção, com cerca de 120 trabalhadores dessas áreas, que foram destinadas para o atendimento aos casos suspeitos e confirmados de Covid-19 no hospital.
Além dos trabalhos em grupo, também foi oferecido atendimento individual emergencial focal, sendo que os funcionários com necessidade de avaliação de acompanhamento farmacológico e psicoterapia breve foram encaminhados para a Psiquiatria. Conforme a enfermeira Katsuy Meotti Doi Bohrer, assistente de coordenação do Bloco I e posto 2º A, uma das organizadoras das atividades, a iniciativa teve um reflexo positivo na equipe em relação à segurança do trabalho e à ansiedade. “Os trabalhadores se sentiram acolhidos pela instituição”, disse ela.
A enfermeira Amanda Nornberg, do posto 3º B1, que atende casos confirmados da Covid-19, participou dos grupos. Ela qualificou como muito bom e produtivo ter o espaço de escuta proporcionado pelos encontros com os profissionais da Saúde Mental. “Sempre é um desafio lidar com uma doença nova, pois gera angústia”, comentou Amanda, completando que se sentiu acolhida com o trabalho das psicólogas.
Quem também destacou a importância desse trabalho foi a técnica de enfermagem da Emergência, da área Covid-19, Cinara Lers. Para ela, o atendimento psicológico foi válido porque ocorreu no momento que estava cheia de dúvidas em relação a essa doença nova e também porque perdeu a colega, que era muito próxima a ela. “Foi o momento em que conseguimos sentar e conversar. Com o acompanhamento, eu consegui reorganizar as ideias, pois foi um período muito difícil”, lembrou ela.
Para a psicóloga Eliana Bender, que integrou a equipe realizadora, promover essa atividade foi desafiador e gratificante. “Desafiador, pois estávamos lidando com algo desconhecido, que rompia com paradigmas dos profissionais de saúde, que foram treinados para salvar vidas. Gratificante por vermos, por trás das máscaras, o reconhecimento e a gratidão desses profissionais da linha de frente pelo nosso trabalho. Os atendimentos foram efetuados de forma presencial, inicialmente em grupo e posteriormente individualmente. Formamos um grupo com oito psicólogos para essa atividade. Todos do Hospital Conceição. Tivemos a parceria da Psiquiatria para realizar acompanhamento medicamentoso, quando necessário. Ao longo dos atendimentos, podemos perceber a tristeza dos nossos colegas pelas mortes dos pacientes e da colega. O medo diante desse vírus devastador e a preocupação de contaminarem seus familiares. Lidamos com os nossos medos e acredito que estamos fortalecidos enquanto equipe e profissionais de saúde”, contou Eliana.
Créditos: Andréa Araujo.