“A primeira dificuldade foi lidar com o medo das pessoas diante do desconhecido”, disse o coordenador da UTI do Hospital Conceição, Luiz Gustavo Marin, referindo-se ao novo coronavírus. Em conversa com nossa equipe, ele conta como foi a adequação do serviço e os diferentes sentimentos ao longo destes oito meses de pandemia. Sem visitar os pais idosos durante todo este período, LG, como é mais conhecido, revela que sua rotina tem sido casa-trabalho, trabalho-casa, com inteira dedicação à profissão que escolheu e ao serviço que hoje lidera, uma das maiores Unidades de Tratamento Intensivo do Estado, com 75 leitos, 29 deles destinados aos pacientes com Covid-19.
Referência para o atendimento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19, o Hospital Conceição teve que ser adaptado para essa missão a fim de garantir a qualidade assistencial. Isso envolveu os diferentes setores, especialmente a UTI, responsável por receber os casos mais graves. Conforme explica Luiz Gustavo Marin, a UTI foi dividida em duas: uma parte para pacientes Covid e outra para pacientes não Covid. O primeiro passo foi estabelecer quais da quatro áreas da UTI iriam atender os casos Covid e organizar os fluxos. Inicialmente as áreas 3 e 4 ficaram destinadas como Covid, somando 29 leitos. No pico da pandemia - em agosto e parte de setembro – a área 2 também foi destinada, chegando a 44 leitos. Atualmente, as áreas 3 e 4 permanecem para este fim.
Além dessas, outra importante medida foi o treinamento da equipe, sobre o uso racional de EPIs, paramentação e desparamentação, cuidados, manuseio do paciente, medicamentos. “Tudo foi colocado em discussão”, conta Marin, “sabíamos que a pandemia ia ser algo longo e, por isso, também havia a preocupação de poder faltar EPIs, mas isso não aconteceu. Em nenhum momento faltou EPIs”, disse. Ele destaca que o fator primordial para o sucesso do trabalho que vem sendo realizado no serviço é o trabalho em equipe. “Mais do que qualquer outra área, o trabalho em equipe na UTI é muito importante, pois é uma batalha diária, onde um precisa cuidar do outro. Sem equipe a gente não cuida de ninguém”, falou.
Para Marin, o maior desafio da pandemia está sendo o isolamento, não só em relação aos próprios familiares, mas também em relação aos familiares dos pacientes, já que o contato tem que ser feito por telefone. “É muito difícil ter, às vezes, que dar uma notícia ruim por telefone”, lamenta.
Perguntado sobre que aprendizado está levando deste período, o médico intensivista disse que é o de acreditar no trabalho em grupo. “Não é um trabalho que se faça sozinho. É reconhecer nossos limites. A gente tem o desejo de salvar todo mundo, nossa tarefa é cuidar das pessoas, mas tem coisas que estão além da nossa vontade, temos que ter esse entendimento”. Sobre o coronavírus ele disse que a lição que fica é de não subestimar a gravidade da doença e sua capacidade de transmissibilidade.
À frente dos cerca de 400 profissionais da UTI do Hospital Conceição, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas, higienizadores e auxiliares administrativos, Marin faz questão de agradecer a todos, que têm sido incansáveis no cuidado aos pacientes. “Sem esse comprometimento e senso de responsabilidade para com a população, isso não seria possível”. Em alusão ao Dia do Médico, ele destaca em especial a dedicação e o afinco dos médicos do serviço.
A Diretoria do GHC parabeniza os profissionais médicos pela passagem do seu dia e ressalta a importância no enfrentamento da pandemia. “Juntamente com os colegas de outras áreas, enfrentam uma pandemia de um vírus desconhecido e mostram comprometimento e dedicação”, saudou o diretor-presidente do GHC, Cláudio Oliveira.
Créditos: Andréa Araujo (Texto). Giulia Mello (Foto).