Nesta segunda-feira, 8 de março, em meio a segunda semana de bandeira preta no Rio Grande do Sul estabelecida para conter a disseminação do coronavírus, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. São inúmeras as mulheres que fazem parte da linha de frente no combate à pandemia, muitas vezes, se obrigando a abrir mão da companhia de seus familiares como forma de precaução e proteção e em prol da saúde da população. Na última sexta-feira, 5 de março, a técnica em enfermagem da Emergência Covid do Hospital Conceição Regina Anderson contou como tem sido para ela, como mulher e profissional da saúde, este um ano enfrentando a Covid-19.
Regina tem 47 anos e trabalha na Emergência do Hospital Conceição (HNSC) há quase quatro anos. Mesmo com o momento difícil vivido no hospital devido ao crescimento do número de casos de coronavírus registrado nas últimas semanas, ela continua uma pessoa sorridente e animada. Com a maquiagem destacando o "sorriso nos olhos", procura passar força para os pacientes e colegas de profissão. "Por mais que isso aqui seja negativo, eu procuro pensar que a gente vai vencer esta fase. Eu penso que estou aqui porque essas pessoas precisam de mim e se eu não procurar um gás, uma força lá do fundo, como que eu vou passar pra eles algo mais forte. Eu tenho que ter uma estrutura", afirma Regina.
Apesar da tentativa de não desanimar, a técnica de enfermagem revela que por trás da máscara e da maquiagem ela está assustada, sente medo e que cada situação têm sido muito difícil, desde a paramentação, até o tratamento dos pacientes. A profissional citou que um dos principais desafios no momento, para ela e seus colegas, têm sido as mudanças repentinas causadas pela nova cepa do vírus nesse período que ela chama de "segunda fase" da covid: "é difícil e assustador. Não sabemos a que ponto vai chegar, a gente chega aqui e está tudo diferente. Uma hora é uma sala não-covid, daqui algumas horas já mudou, tem que ampliar a estrutura".
Regina também relatou o desgaste dos profissionais da saúde ao verem o sofrimento dos pacientes internados e de seus familiares. "É muito triste e desgastante. Familiares que não podem ver seus entes queridos que estão internados, onde a gente tem que tirar uma foto para eles observarem a face das pessoas, e isso é muito triste pra nós, frustrante, desgastante e infeliz", desabafa a técnica de enfermagem. Ao falar em família, Regina lembrou que a pandemia tem causado restrições em seu âmbito familiar e cita emocionada que está impossibilitada de receber abraços de seu pai e de sua irmã "pequenininha".
Mesmo com todas as dificuldades impostas pelo coronavírus, Regina ainda deixou um recado de força para todas as mulheres que estão passando por momentos difíceis em decorrência do vírus: "a gente passa o dia atrás dessa máscara, não pode mostrar o sorriso, não pode passar um batom, não pode nada, mas pelo menos a gente sorri com os olhos, tenta brincar, gesticula com as mãos, 'abraça' de longe. Ser mulher para mim é ter sensibilidade e ser forte. Ter sensibilidade em tudo que tu faz, com o filho, com a família, com o trabalho, com o ser humano. Tem que ter força, porque senão nada vai vencer. Para chegar no fim do trabalho e poder dizer 'consegui vencer este dia, amanhã é um outro dia'".
Créditos: Marcus Oliveira