O nascimento da pequena Safira, neste mês de julho, coroou com esperança o projeto do Hospital Fêmina (HF) de criar o Serviço de Cirurgia Fetal, área que vem crescendo no mundo, mas ainda insipiente no sistema público no Brasil. A mãe da menina, na décima nona semana de gestação gemelar, foi encaminhada pelo município de Santa Maria para o HF com o diagnóstico de Síndrome de Transfusão Fetofetal, um problema que acomete até 20% das gestações gemelares monocoriônicas, ou seja, as quais os fetos dividem a mesma placenta.
De acordo com o médico ginecologista, obstetra e especialista em Medicina Fetal do HF Felipe Bassols, essa síndrome ocorre quando há um desbalanço na comunicação que normalmente ocorre entre os vasos sanguíneos dos bebês gêmeos na placenta. “Na placenta, os bebês trocam sangue entre si pelos vasos, um manda sangue e o outro recebe, e vice-e-versa. Quando há um desbalanço nessa comunicação, temos um bebê doador e o outro receptor. É aí que se desenvolve a síndrome, que, em um grau mais elevado, pode levar a complicações graves como hemorragia cerebral ou até mesmo ao óbito dos fetos”, explica.
Conforme ele, o melhor tratamento hoje disponível é a fetoscopia com câmera, técnica utilizada neste caso no Hospital Fêmina. A câmera, muito pequena, é introduzida no útero da mãe para visualização e, por meio de laser, é feita a coagulação dos vasos sanguíneos dos bebês. Dois dias após o procedimento no HF, um dos fetos foi a óbito e o outro sobreviveu. “Com sucesso, conseguimos proteger o outro bebê”, comemora Bassols, ao destacar que a Síndrome de Transfusão Fetofetal é um problema grave e não realizar o tratamento pode representar a perda dos dois bebês.
O procedimento foi realizado no Fêmina no mês de março, e a menina nasceu em julho, em Santa Maria, com 34 semanas. Ela e a mãe passam bem. O médico disse que está sendo aguardada a compra de equipamentos que irão incrementar a atividade do Serviço de Cirurgia Fetal no HF, que é o primeiro no SUS no Estado, oportunizando este tratamento para as gestantes do Rio Grande do Sul que hoje são encaminhadas para outros estados.
Créditos: Andréa Araujo.