Segundo dados do Relatório Brasileiro de Transplantes do último semestre de 2021, houve um aumento da fila de espera por um órgão no Brasil, tanto para adultos quanto para crianças, em especial nesses tempos de pandemia da Covid-19. Temos 45.664 brasileiros que aguardam por um transplante e assim viver por mais tempo ou viver com mais qualidade de vida.
Setembro foi escolhido como o mês para se intensificar a sensibilização na sociedade brasileira sobre a doação de órgãos e no dia 27 comemoramos o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes. No Setembro Verde, outras causas nobres também são comemoradas, como o da inclusão das pessoas com deficiência na sociedade como um direito.
Sensibilizar a sociedade sobre o tema ainda é um caminho a ser percorrido, pois existe grande tabu e desinformação sobre a morte encefálica, o que leva muitas famílias a não concordarem com a doação após a morte do seu familiar. A conscientização da sociedade sobre a importância do “sim”, do aceite familiar é crucial para os que esperam um órgão para viver.
No Brasil, houve 5.846 notificações de potenciais doadores, e, nas entrevistas familiares realizadas, cerca de 40% não autorizaram a doação de órgãos do seu familiar morto. Nesse período, 853 pessoas morreram esperando por um “sim”, 22 eram crianças. Tem muita gente querendo viver e podemos contribuir para aumentar a chance de cada um deles.
Destacamos que o Sistema Único de Saúde é responsável por cerca de 95% dos transplantes no Brasil por meio do Sistema Nacional de Transplantes e que defender o SUS é essencial para que a população tenha acesso a essa política de saúde.
No GHC, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) retomou suas atividades em agosto deste ano e passa por uma reestruturação, objetivando retomar seu patamar de ser reconhecido nacionalmente como um complexo hospitalar amigo da vida, devolvendo para a sociedade por intermédio da doação de órgãos a “vida” com um valor inegociável.
Em agosto, a CIHDOTT/GHC acompanhou sete processos de diagnóstico de morte encefálica, dois potenciais doadores tinham contra-indicações clínicas e três famílias autorizaram á doação de órgãos, segundo dados informados pela comissão.
“Nosso sonho, neste Setembro Verde, é que todos os brasileiros e brasileiras sejam doadores de órgãos, o que pode parecer uma utopia simplista, mas ideal para iniciar o debate sobre a dimensão sócio-econômica do que seria ‘todos os brasileiros’, quando pensamos no acesso a essa política de saúde”, ressalta a enfermeira da CIHDOTT-GHC Andréa Gomes.
Créditos: CIHDOTT/GHC