Dia 11 de outubro, é o Dia Mundial da Obesidade e Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. De acordo com a Médica Endocrinologista do Grupo Hospitalar Conceição e do Centro de Atenção ao Obeso Classe III (CAO III) do Hospital Conceição, Kátia Elisabete Pires Souto, a questão mais importante em relação à obesidade é aceitar de que se trata de uma doença crônica muito prevalente e de difícil tratamento.
“Existe muito preconceito em relação à obesidade. O paciente geralmente se sente culpado por ser ou estar obeso. Devemos como profissionais de saúde aliviar este peso causado pelo estigma. A obesidade não é simplesmente causada pelo excesso de comida. Existem inúmeros fatores genéticos e ambientais que podem favorecer o aparecimento da doença”, explica a especialista.
Conforme ela, os riscos da obesidade são inúmeros, é a maior causa de diabetes mellitus do tipo 2. Outros problemas que vêm associados são dor osteomuscular e doença hepática gordurosa não alcoólica, a esteatose hepática. Esta gordura depositada no fígado certamente será a primeira causa de transplante hepático no mundo. Outro problema frequente é a Síndrome da Apneia e hipopneia do sono, que é uma causa de morte súbita. Existe maior incidência de câncer nos indivíduos com obesidade. O carcinoma de mama é mais frequente nas mulheres obesas. A obesidade é fator de risco para inúmeras outras complicações como osteoartrose, doenças cardiovasculares e infecções de pele como erisipela.
O tratamento da obesidade além de incluir mudança do estilo de vida, pode ser necessário uso de medicamentos antiobesidade que devem ser usados por longos períodos de tempo, por ser uma doença crônica. O ideal, explica Kátia, seria existir um remédio cujo uso nunca fosse suspenso, a exemplo do tratamento do diabetes ou da Hipertensão Arterial Sistêmica, medicações que possam ser usadas por toda a vida. “A cirurgia bariátrica também pode ser um excelente recurso para pacientes cujo tratamento clínico falhou. A indicação é para casos de obesidade mais grave, portadores de índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 35 kg/m com alguma comorbidade como esteatose hepática ou osteoartrose e para aquele com Obesidade Classe III IMC > 40 kg/m”, ressalta.
Prevenção
A médica explica que a prevenção deve começar já no período da gestação, desde o início. Estimular ao máximo o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. A introdução de açúcar e gorduras para recém-nascidos e crianças menores de um ano deve ser evitada. Os pais devem servir de exemplo para os filhos com dieta saudável e estimulando a prática de atividade física. Não deixar as crianças horas sentadas na frente da televisão, computadores e celulares. Limitar o tempo de sedentarismo.
“As escolas também têm o papel de evitar lanches muito calóricos disponíveis nas cantinas. Enfim, a doença necessita um enfrentamento de toda a sociedade, além dos profissionais de saúde. Todos temos que estar unidos para que esta epidemia não diminua a qualidade de vida e cause mortes precoces. Prevenir é o melhor remédio para a obesidade”, alerta Kátia Souto.
Créditos: Johan Strassburger (Foto).