A preocupação com as listas de espera eletivas do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) não é uma novidade. Há alguns anos, o Núcleo Interno de Regulação do Hospital Conceição e Hospital Criança Conceição (NIR/HNSC-HCC) vem trabalhando na redução das filas e dos tempos de espera.
Em 2016, foi agregada uma enfermeira ao NIR para conduzir a gestão das listas de espera e iniciou-se um projeto piloto com a equipe da Cirurgia Cardíaca. Em um ano e meio de projeto, a lista de espera da Cirurgia Cardíaca havia reduzido de 159 para dez pacientes e o tempo de espera, de até quatro anos para até nove meses. Em 2018, estendeu-se o projeto com a equipe da Urologia. Em dois anos de projeto, a lista teve uma redução de 50,4% na quantidade de pacientes em espera e uma redução de 71,2% no tempo máximo de espera. Além disso, houve redução de 34,3% no tempo médio de internação e aumento de 15,9% da média de cirurgias programadas realizadas.
Em 2019, foi agregada uma administradora ao processo, e o NIR passou a monitorar sistematicamente as listas de espera de todas as especialidades, por meio de indicadores de quantidade e de tempo de espera.
Em 2020, contudo, com o início da pandemia por Covid-19, houve suspensão de grande parte dos procedimentos eletivos. Em abril de 2021, com a retomada das cirurgias eletivas, a lista de espera tinha 2.132 pacientes aguardando, por até sete anos. Foram retomadas medidas e adotadas outras: reuniões com as equipes de especialidades, definição de leitos específicos para pacientes eletivos; mutirões ambulatoriais para revisão de pacientes e avaliações pré-operatórias; melhorias nos sistemas de informação; revisões administrativas e clínicas dos casos; adoção das consultorias como canal oficial de comunicação entre equipes e NIR; implantação da Equipe de Monitoramento.
Em outubro de 2021, a gestão das listas de espera teve um suporte robusto por parte da Diretoria do GHC, por meio da Instrução Normativa nº 03/2021, que define atribuições e regramentos para a gestão das listas de espera, entre NIR e equipes de especialidades.
Em 2023, a atuação neste âmbito foi intensificada, em razão do Plano Nacional de Redução de Filas de Espera Eletivas, lançado pelo Ministério da Saúde. Assim, foram realizadas diversas ações, como contratação de anestesistas terceirizados; contratação de mais profissionais; implantação de processo fast track para avaliação pré-operatória; implantação de sala e anestesista de giro no Bloco Cirúrgico, para agilizar o processo de admissão dos pacientes; mudança de local da recepção de pacientes eletivos do Bloco Cirúrgico, para evitar deslocamentos excessivos e otimizar o processo de admissão dos pacientes; definição de leitos de retaguarda exclusivos para a sala de recuperação pós-anestésica; ampliação de consultas ambulatoriais e teleconsultas; ampliação dos horários de funcionamento do Bloco Cirúrgico para sábados durante o dia e noites durante a semana.
Além dessas ações, está em andamento a reforma para abertura de duas salas cirúrgicas e de 16 leitos para retaguarda à Sala de Recuperação e à Hemodinâmica no HNSC e a reforma da área da Oftalmologia para a realização de procedimentos com anestesia local.
RESULTADOS
A lista de espera é dinâmica, pois diariamente há pacientes sendo agregados à lista e saindo da mesma. No início de 2023, havia 3.900 pacientes inscritos na lista de espera dos quatro hospitais do GHC. Além deles, mais de 15 mil pacientes foram agregados à lista eletiva ao longo de 2023. Atualmente (abril/2024), há cerca de 3.400 pacientes aguardando.
O que é mais importante, contudo, não é o tamanho da lista, mas sim o tempo em que as pessoas permanecem na lista. Nesse sentido, o tempo médio de permanência na lista de espera no GHC reduziu em relação ao ano anterior, de 325 para 210 dias; e o tempo mediano, de 141 para 95 dias. Além disso, em janeiro de 2023, 55,5% dos pacientes estavam na lista por menos de seis meses. Atualmente, são 64,7%. Estes dados variam conforme o hospital, especialidade e tipo de procedimento.
A equipe do NIR destaca as palavras de um dos maiores pesquisadores mundiais sobre o assunto Steven Lewis: “estar em uma longa fila de espera não necessariamente é um sinal de problema, embora estar em uma lista por um longo tempo possa ser. Embora o número de pacientes aguardando por um procedimento possa influenciar os tempos de espera, este número não é significativo por si só”.
Créditos: Alexandra Jochims Kruel (Texto). Patrick Almeida (Foto).