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21.05.2024 ENCHENTES NO RS

Como enfrentar as doenças trazidas pela enchente

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Caso identifique qualquer um dos sintomas, busque atendimento imediato.
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Na imagem, Hospital de Campanha da Força Nacional do SUS.
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A prevenção e o tratamento das doenças associadas às cheias mobilizam profissionais da área da saúde.

Depois que as águas baixarem, um novo desafio precisa ser enfrentado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e pelos integrantes da Força Nacional do SUS. A prevenção e o tratamento das doenças associadas às cheias mobilizam os trabalhadores do Grupo e os demais profissionais da área da saúde. A Leptospirose, o Tétano, a Hepatite A, as Doenças Diarréicas Agudas (DDAs) e as síndromes respiratórias, entre outras, são as principais enfermidades a serem atacadas.

A orientação inicial é procurar atendimento médico, assim que os primeiros sintomas surgirem, em qualquer Unidade Básica de Saúde, de preferência na mais próxima de sua residência, ou nos hospitais de campanha, já instalados no Rio Grande do Sul.

LEPTOSPIROSE

Entre as doenças que têm a sua incidência aumentada, ou seja, que ocorrem com mais frequência durante e após catástrofes climáticas, como as enchentes que castigam o Estado, destacam-se aquelas transmitidas por animais aos humanos, como é o caso da Leptospirose, provocada pela urina de roedores contaminados.

Pessoas que tiverem contato com a água das cheias devem ficar atentas a qualquer sinal de febre num período de até 30 dias, pelo risco de terem contraído Leptospirose. “Basta ter febre para procurar atendimento médico quando há exposição à água de enchentes, pois os demais sintomas são semelhantes aos de outras doenças mais comuns”, explica o médico de família, Douglas Sartor. Segundo ele, as características mais peculiares da Leptospirose são a vermelhidão e o inchaço nas conjuntivas dos olhos e o amarelão pelo corpo e também nos olhos. Além disso, os sangramentos podem aparecer tanto nos casos de Dengue quanto nos de Leptospirose.

A melhor forma de prevenção das doenças associadas às cheias, obviamente, é evitar o contato com a água, usando botas e luvas de borracha, roupas impermeáveis ou outros equipamentos de proteção, como sacos plásticos nos pés e nas mãos. Entretanto, como nem sempre isso é possível numa situação de enchente, a recomendação é tomar banho ou lavar a área exposta com água e sabão ou mesmo álcool-gel o quanto antes, para reduzir o risco de contágio. Vale ressaltar também a importância de se tomar os mesmos cuidados se entrar em contato com a lama , após as águas baixarem, pois também existe o risco de contaminação.

RAIVA

A raiva tem risco de transmissão aumentado durante e após a enchente por duas situações. A primeira delas nas tentativas de salvar animais assustados, que podem reagir ao resgate, e a segunda diante da aglomeração de bichos de estimação nos abrigos, no caso de não serem vacinados ou estarem com vacinas em atraso. O maior risco, entretanto, envolve animais de grande porte e selvagens. Como os sintomas podem demorar a aparecer após o contágio, seja por mordedura ou arranhão de qualquer animal, deve-se procurar imediatamente o atendimento médico.

PEDICULOSE E ESCABIOSE

A pediculose (infestação por piolhos) e a escabiose (infestação de sarna) podem surgir nos abrigos para vítimas das enchentes por conta da aglomeração de pessoas em um mesmo ambiente fechado.

Sarna e piolho são doenças que raramente representam alguma gravidade, mas, pessoas que apresentem coceira no couro cabeludo e na pele precisam procurar atendimento médico o quanto antes para evitar um surto no abrigo.

RESFRIADOS, RINOSSINUSITE E QUADROS GRIPAIS

Outras doenças transmitidas de pessoa para pessoa, agravadas pelas aglomerações nos abrigos, são os resfriados e os demais quadros gripais. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas de febre, coriza, tosse, dor de garganta, diarréia e dores pelo corpo. Assim, por exemplo, toda pessoa com tosse deve usar máscara e procurar atendimento médico para identificar se é um caso de resfriado, gripe, pneumonia ou até mesmo tuberculose, sempre com o propósito de evitar surtos no local.

TÉTANO

Diante de qualquer acidente com corte na pele, especialmente no caso de contato com a água das enchentes, a pessoa deve procurar atendimento médico para avaliar o risco de Tétano e proceder com o tratamento adequado. Os sintomas da doença são contraturas musculares, rigidez nos braços e pernas ou na região abdominal, dificuldade de abrir a boca, e dores nas costas, nos braços e nas pernas. Se o corte demorar a cicatrizar, ficar vermelho, inchado, quente e doloroso, há risco de contaminação por outras bactérias e deve ser realizada uma avaliação médica.

HEPATITE A

A Hepatite A é uma doença viral que pode ser adquirida quando a pessoa consome alimentos que não foram devidamente higienizados. Geralmente, quando presentes, os sintomas não são característicos, podendo se manifestar inicialmente como fadiga, mal-estar, febre e dores musculares. Esses sinais iniciais podem ser seguidos de alterações gastrointestinais, como enjôo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia. Depois, a urina pode ficar escura e, na seqüência, a pessoa pode ficar com a pele e os olhos amarelados. Os sintomas costumam aparecer de 15 a 50 dias após a infecção e duram menos de dois meses.




DOENÇAS DIARRÉICAS AGUDAS

A síndrome é caracterizada quando há ocorrência de, no mínimo, três episódios de diarréia aguda em 24 horas, ou seja, diminuição da consistência das fezes e aumento do número de evacuações, quadro que pode ser acompanhado de náusea, vômito, febre e dor abdominal.
Esse tipo de doença pode ser causado, assim como a Hepatite A, pelo consumo de alimentos contaminados e de água não tratada.

Numa situação de enchente, após as águas baixarem, é importante descartar todos os alimentos, mesmo aqueles não perecíveis, pelo risco de estarem contaminados. Outra orientação é voltada para pessoas que mantêm hortas em casa: trocar a terra que foi alagada por outra livre de contaminação, antes de voltar a plantar no local.

KIT EMERGENCIAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Desde o início da tragédia climática no Rio Grande do Sul, o Ministério da Saúde já enviou 100 kits emergenciais ao Estado. O envio assistencial é o maior já realizado até então pelo Programa Nacional de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres (Vigidesastres). Cada kit conta com sete caixas com 32 tipos de medicamentos e 16 tipos de insumos capazes de suprir as necessidades de atendimento de 1,5 mil pessoas por 15 dias:

Confira abaixo os medicamentos presentes no kit emergencial:

Antidepressivos;
Antidiabéticos;
Antibióticos;
Diuréticos;
Anti-inflamatórios;
Sais de reidratação;
Corticóides;
Antieméticos (utilizados para tratar e prevenir náuseas e vômitos)
Soluções e soros;
Protetores gástricos;
Antiparasitários;
Broncodilatadores (usados no tratamento da asma).

Confira abaixo os insumos presentes no kit emergencial:

Pares de luvas;
Seringas descartáveis;
Compressas;
Equipos;
Cateteres;
Frascos de hipoclorito de sódio (para tratamento da água que será bebida);
Máscaras descartáveis;
Pacotes de ataduras;
Rolos de esparadrapo.

Créditos: Patrick Almeida