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29.05.2024 SAÚDE MENTAL

GHC trabalha no suporte psicológico às vítimas das enchentes

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Barco de papel feito por uma das crianças que teve sua casa atingida pela enchente.

Em meio à tragédia das enchentes que assolam o Rio Grande do Sul, o suporte psicológico às vítimas tem se mostrado essencial e, neste contexto, o trabalho de profissionais de Saúde Mental se torna imprescindível. Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, trabalhadores do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), integrados à Força Nacional do SUS, têm assegurado atendimento aos abrigados.

O médico psiquiatra do Hospital Nossa Senhora da Conceição Marco Aurélio Crespo Albuquerque está à frente nos atendimentos e conta que, neste primeiro momento, o mais importante, é deixar as pessoas falarem, se quiserem, sobre o que mais as afetou. A partir dessas respostas, é possível definir e focar no tipo de auxílio que elas mais necessitam, seja em abrigos ou em casas de parentes e amigos. “Não tenho palavras para descrever o que estamos vivendo é uma das frases que mais escutei”, relata.

O psiquiatra explica que a importância da assistência às vítimas está em olhar para traumas agudos e cuidar para que não se agravem, já que posteriormente podem determinar cuidados a longo prazo. Segundo ele, é esperado um aumento no número de casos de ansiedade, estresse pós-traumático e depressão, bem como o agravamento de outras condições preexistentes, como psicoses.

A gerente de Atenção Primária à Saúde do GHC, Gerusa Bittencourt, explica que, atualmente, a abordagem de saúde mental está sendo feita com a abertura das portas dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) às vítimas da tragédia ambiental. Anteriormente reguladas exclusivamente pelo sistema de marcação de consultas, agora qualquer usuário pode ser atendido nos CAPS, além de contar com o atendimento nas Unidades de Saúde.


DIQUES, BARCOS DE PAPEL E A INOCÊNCIA EM MEIO AO CAOS

Em meio ao cenário de calamidade que se instalou nas últimas semanas no Estado, existe a necessidade de entender como os mais jovens estão sendo afetados pela mudança na rotina. Crianças e adolescentes se encontram ainda em fase de desenvolvimento e, por conta disso, tendem a ser os mais atingidos. “Escutar e estar ao lado, apoiando, são nossos principais instrumentos de trabalho, e esta escuta ocorre num cenário inimaginável, até para nós”, esclarecem a psicopedagoga Lisandra Alves Nascimento e a residente em Saúde Mental Karina Gentile Machado dos Santos, integrantes da equipe do CAPSi Pandorga.

A coordenadora do CAPSi Vanessa Machado da Costa relata que, para explicar a situação às crianças, é preciso lidar com a verdade, já que necessitam auxílio para compreender o momento que estão vivenciando. “Estamos partindo do que as crianças sabem ou manifestam, porque isso auxilia na ressignificação da tragédia que estão enfrentando”, reforça.

As crianças têm sentido falta de suas casas, dos brinquedos e de afeto. Tudo isso é perceptível nos sentimentos que demonstram. “Muitos dos pequenos têm demonstrado tristeza, raiva e ansiedade e essas manifestações podem ser nítidas ou caracterizadas pelo isolamento”, salienta Vanessa. Durante as brincadeiras, segundo relatos da equipe do CAPSi, é possível observar a construção de uma narrativa em que há a necessidade de segurança, construindo diques e barcos de papel. Na verbalização, também demonstram a vontade de voltar para casa e brincar com seus brinquedos.

Entre os responsáveis pelas crianças e adolescentes, o sentimento é de perda e luta. Vanessa Machado ressalta que o Centro está acolhendo o que as mães contam. “Muitas famílias ainda não retornaram aos seus lares, e as casas são muito mais do que um local de moradia, são histórias e conquistas”, salienta.

SAIBA MAIS

O CAPSi Pandorga informa que está de portas abertas. Para contatar o serviço, é possível ligar ou enviar WhatsApp para (51) 3366-1429.

Créditos: Marianna de Azevêdo