Desde o início da tragédia ambiental que atingiu o Rio Grande do Sul, funcionários do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) estão mobilizados para acolher as vítimas das enchentes. Durante o mês de maio, mais de 400 trabalhadores e trabalhadoras do Grupo, vinculados à atenção primária à saúde se agregaram, de alguma forma, às equipes de apoio e resgate. A força-tarefa incluiu médicos, enfermeiros, técnicos, psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, entre outros. “O objetivo inicial foi proporcionar acolhimento e abrigo temporário, além de garantir segurança e alimentos às pessoas”, salientou a gerente da área, Gerusa Bittencourt.
O diretor de Atenção à Saúde do GHC, Luís Antônio Benvegnú, relata que, nos abrigos, além de estar em locais seguros, as pessoas recebiam medicamentos, tratamento para as doenças infecciosas respiratórias, alimentação e, principalmente, apoio em relação à saúde mental. “Os funcionários e voluntários trabalharam na escuta dos alojados para entender as dificuldades individuais e providenciar o atendimento adequado”, explica.
A enfermeira do GHC e integrante da supervisão da área de Saúde Mental Susiane Ferreira relata que o primeiro desafio foi organizar os espaços de assistência à saúde. Depois, foram realizados o acolhimento e a escuta terapêutica das pessoas desalojadas. "Além da escuta, atuamos no cuidado em relação às doenças que vêm com as enchentes", complementa.
ATUAÇÃO NA FORÇA NACIONAL DO SUS
O GHC também participa das equipes da Força Nacional do SUS (FN-SUS) com cerca de cem funcionários. A FN-SUS é um programa de cooperação criado em novembro de 2011, voltado à execução de medidas de prevenção, assistência e repressão a situações epidemiológicas, de desastres ou de desassistência à população, quando estiver esgotada a capacidade de resposta do município ou do Estado.
O primeiro Hospital de Campanha instalado em Porto Alegre, funciona junto à UPA Moacyr Scliar desde o dia 14 de maio, numa iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o GHC. No local, a FN-SUS atende, diariamente, pacientes de menor gravidade. A enfermeira do Cristo Redentor, responsável pela coordenação dos atendimentos no local, Cecília Soster, relata que o serviço está sendo essencial neste contexto do desastre. Ela assegura que, se não fosse a estrutura emergencial e o trabalho conjunto, a população poderia ficar com a assistência comprometida. “Como enfermeira, agradeço por ter a oportunidade de prestar esse serviço à sociedade neste momento tão delicado”, comenta. Outros 67 funcionários do GHC atuaram no Hospital de Campanha instalado em Canoas.
ACOLHIMENTO AOS FUNCIONÁRIOS
O Grupo Hospitalar Conceição, por meio da Gerência de Gestão de Pessoas, também estruturou uma equipe multidisciplinar de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras atingidos pelas enchentes, com 42 integrantes. O trabalho inicial foi voltado a identificar as necessidades mais urgentes dos funcionários. A ação inclui ainda a arrecadação e a distribuição de doações, a busca ativa de empregados que moravam nas áreas alagadas e a escuta das vítimas. Neste processo, mais de 500 pessoas foram atendidas.
A partir da GGP/GHC também foram estruturados alojamentos nos quatro hospitais do Grupo e na UPA Moacyr Scliar para acomodar os trabalhadores que não conseguiram voltar para suas casas, beneficiando 130 pessoas. Foram organizadas ainda rotas de transporte para assegurar a chegada dos funcionários ao trabalho e o retorno para casa. Os itinerários passaram pelas cidades de Canoas, Gravataí, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Esteio e São Leopoldo. Cerca de 500 trabalhadores já utilizaram essas rotas.
Outra ação importante do Grupo, num trabalho conjunto da Gestão de Pessoas e da Escola GHC, foi a organização de um espaço para acolher os filhos e as filhas dos funcionários. Ao todo, foram oferecidas 60 vagas, 30 pela manhã e 30 à tarde, para atender as crianças de 6 a 14 anos, impossibilitadas de ir à escola.
Em relação à saúde mental, a GGP/GHC liderou um grupo multiprofissional para acolher os trabalhadores necessitados de apoio e suporte psicológicos. No total, até agora 106 pessoas foram acolhidas por essa equipe.
A SATISFAÇÃO EM AJUDAR
"Tive a oportunidade de participar da ação do GHC como voluntária nos abrigos. Foi uma experiência de solidariedade, que mostrou a importância de ajudarmos o próximo numa situação de calamidade.” Elisabeth Watchow, médica de família e comunidade
"O GHC teve uma iniciativa preponderante e muito interessante no sentido de tomar a frente, não só na ação dos abrigos, mas também com o aumento da capacidade instalada dos nossos serviços para conseguir dar conta da situação emergencial. Atuei em alguns abrigos inclusive como voluntária e foi uma experiência bem intensa, porque estive presente nos primeiros dias e nunca tinha visto nada igual. Também foi gratificante, diante da possibilidade de acolher e ajudar as famílias.” Bibiana Dias, psicóloga do GHC
"Quando chegas e enxergas um ginásio cheio de pessoas desabrigadas, é muito angustiante. A vontade é fazer tudo o que for possível e nem sempre dá certo. Porém, ao mesmo tempo, foi gratificante ver que, no abrigo, as pessoas estavam tendo o que era necessário. Em relação ao GHC, vi bastante envolvimento. A saúde nesse momento de tragédia é a que mais esteve organizada para atender a população, pois nós já somos treinados para saber como atuar, como na pandemia, por exemplo.” Débora Cristina Abel, assistente social da sala Elza Soares - REHUMAN
Créditos: Texto: Lorenzo Mascia