No mês de outubro de 2024, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a partir de determinação do Ministério da Saúde, recebeu a missão de administrar o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), no Rio de Janeiro. Na nova filial, o propósito é o mesmo das demais unidades, oferecer atenção à saúde 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma integral e universal. O desafio da nova gestão é retomar o conjunto dos serviços, abrir leitos e consolidar o HFB como uma instituição pública reconhecida pela excelência no cuidado, na formação, na pesquisa e na inovação, sempre pautada pelos direitos éticos e políticos relacionados ao direito à saúde.
No dia 13 de outubro último, uma equipe de 45 trabalhadores do GHC se deslocou de Porto Alegre para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o primeiro contato com a estrutura do Bonsucesso para compreender as ações e necessidades do hospital e da população assistida. Com as tentativas de entrada dificultadas por manifestantes, os primeiros dias foram dedicados à participação em oficinas de integração, ações de estruturação e organização para, efetivamente, assumir a gestão do Hospital Bonsucesso.
O técnico em Radiologia do Hospital Cristo Redentor (HCR) Leonardo de Magalhães esclarece que os maiores desafios a serem enfrentados neste primeiro momento são a falta de acesso para o público, devido à capacidade de atendimento reduzida, e a qualidade de vida para os trabalhadores. Magalhães explica que foram dias intensos para garantir o acesso dos usuários e a integralidade do sistema de saúde. "Minha primeira preocupação ao chegar ao hospital foi com a reconstrução do Parque Tecnológico, prejudicado por um incêndio em 2020, para restabelecer as operações e aumentar a disponibilidade de leitos", destacou.
A equipe do GHC também buscou fazer interações com a população do entorno do hospital. "O pessoal da comunidade da Perereca tem esperança e vê com bons olhos a atuação do GHC”, contou Magalhães. Nas conversas com os usuários da instituição, os funcionários do GHC conseguiram explicar a linha de atuação do Grupo e também esclarecer que, com a reorganização do HFB, haverá um retorno positivo para a comunidade.
Gabriel Messerschmidt, enfermeiro do Hospital Conceição, contou que, com outros quatro colegas da área assistencial, foi ao HFB para dedicar-se às áreas fechadas, como o Bloco Cirúrgico, a Central de Material e Esterilização (CME), a Sala de Recuperação e as Unidades de Tratamento Intensivo. Gabriel relatou que, no Bonsucesso, existem equipamentos e uma estrutura que precisam ser melhor aproveitados para aumentar a capacidade de produção e qualificar o atendimento à população. O enfermeiro mencionou que a CME, por exemplo, possui um fluxo bem estruturado, com uma equipe competente e coesa, do ponto de vista dos protocolos e rotinas estabelecidos, no entanto, havia necessidade de reorganização em função da falta de insumos. "Devido à descontinuidade no fornecimento, nem sempre havia materiais suficientes, o que gerava improvisação", explicou. O desafio do GHC é regularizar os processos de compras e o fornecimento dos itens necessários. Segundo ele, após a visita, foi elaborado um plano de ação em conjunto com consultores do Ministério da Saúde, com propostas para os próximos 90 dias, elencando as prioridades de aquisição e contratação.
Silvana Barcelos, auxiliar geral do GHC há 24 anos, relata que foram mais de 12 horas de trabalho intenso para traçar um plano de ação nos diversos setores. Silvana conheceu o almoxarifado e ficou impressionada com a estrutura do hospital fluminense, apesar das dificuldades na integração. "Alguns manifestantes estavam resistentes à possibilidade de uma nova gestão, então, no início, houve certa barreira, no entanto, posteriormente, fomos muito bem recebidos pelos servidores", ressaltou. Já a coordenadora do Núcleo de Regulação Interna do GHC (NIR), Thanize Prates, salientou que sua ida ao Bonsucesso teve como objetivo conhecer a regulação de leitos, a fila de espera e os funcionários da emergência. "Quando chegamos, fomos divididos em grupos, conforme a área de atuação de cada um, e realizamos oficinas com a ideia de pensar na dinâmica de trabalho no Rio, levando a cultura que temos aqui para lá", ressaltou. Essa compreensão e a troca de experiências de trabalho foram fundamentais para entender o processo no momento da entrada dos profissionais do GHC no hospital fluminense.
ATENDIMENTO 100% SUS
Um dos desafios da equipe que atuou no Rio de Janeiro foi combater a desinformação. “Precisamos reafirmar que o GHC é uma instituição federal, vinculada ao Ministério da Saúde, e referência no atendimento 100% pelo SUS”, lembrou Gabriel. Com o reconhecimento de ser a maior rede de saúde pública do sul do Brasil, o desafio da instituição, em especial nos próximos 90 dias, é garantir a reabertura de leitos e serviços no HFB, entre eles, a emergência, para assegurar o atendimento universal e gratuito à população fluminense.
Créditos: Marianna de Azevêdo