No dia 20 de novembro, a Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência do Grupo Hospitalar Conceição (Re-Humam/GHC) iniciou um ciclo de 21 dias, dedicados à luta pelo fim da violência contra as mulheres. Os dados mostram que, de março até outubro de 2024, 565 mulheres buscaram o serviço, sendo 73% por violência física e 20% sexual. Deste percentual de mulheres, 43 estão em acompanhamento, 219 não aceitaram auxílio, 161 informaram ser acompanhadas em outro local, 79 não foram localizadas e uma foi a óbito.
Segundo a assistente social e coordenadora do Re-Humam, Débora Abel, o serviço tem o objetivo de humanizar o atendimento voltado às mulheres em situação de violência, sendo um ponto focal para este tipo de assistência. A equipe possui duas assistentes sociais e duas psicólogas, que realizam este atendimento. A coordenadora explica que um dos desafios é fazer com que todos os hospitais e unidades do GHC conheçam o Re-Humam para conseguirem dar o encaminhamento necessário e adequado. “A ideia é trabalharmos juntos, para que, quando chegar ao posto de saúde, por exemplo, uma mulher com um olho roxo e relatando uma situação de violência, ela receba o atendimento previsto no protocolo e seja posteriormente encaminhada para nós se necessário”, salienta.
Diferentemente de outros serviços oferecidos no Brasil, a atuação do Re-Humam ocorre, principalmente, por meio da busca ativa, que se inicia quando os profissionais acessam o sistema. No Hospital Cristo Redentor (HCR), para localizar mulheres que no dia anterior foram vítimas de algum tipo de violência, por exemplo, ocorre um estudo de prontuário. “Nós vamos procurar entender a violência sofrida e fazer a ficha de notificação para que, então, depois, possamos convidar essa mulher a ser acompanhada pelo Re-Humam”, esclarece a coordenadora. Débora explica ainda que o primeiro atendimento é como uma triagem, para que a equipe possa compreender a necessidade da vítima e passe a acompanhar o caso mediante atendimentos agendados. A cada dez dias, o rastreio é realizado nas demais unidades do GHC e, se a pessoa já estiver em atendimento, o serviço apenas realiza o monitoramento. “A monitoração ocorre porque, muitas vezes, a vítima marca e não comparece ou desmarca, porque falar sobre estas situações pressupõe que haja necessidade de agir e, às vezes, a pessoa ainda não está pronta”, destaca a assistente social. Ela comenta que, em caso de violência doméstica, quando a mulher não comparece ou não responde, agentes de saúde fazem a busca ativa para verificar se não se trata de caso de cárcere privado, além de averiguarem o estado em que se encontra.
Débora Abel destaca que a ideia de constituição do Re-Humam surgiu a partir de uma das prioridades do atual governo federal, que é o combate à violência contra as mulheres. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do RS, em outubro de 2024, em Porto Alegre, foram registrados 5.206 casos de violência contra a mulher, incluindo feminicídios consumados, feminicídios tentando, ameaças, estupros e lesões corporais.
CONFIRA AS ATIVIDADES PROPOSTAS PELA RE-HUMAN DE 20/11 a 10/12 DE 2024
Durante 21 dias, serão enviados por e-mail a todos os colaboradores do GHC posts com dados, frases e pequenos textos, sobre a violência contra a mulher com o objetivo de divulgar o trabalho da Re- Humam e promover a conscientização sobre a violência de gênero.
Hospital Cristo Redentor: 25/11 a 10/12 - haverá um banner na entrada do refeitório com dados dos atendimentos atuais do Re-Humam. No dia 10/12, a equipe estará na saída do refeitório, entregando materiais e à disposição dos (as) funcionários (as) que tiverem dúvidas sobre o tema.
UPA Moacyr Scliar: 25/11 a 2/12 - haverá um banner no local de acesso aos trabalhadores e às trabalhadoras.
Hospital Nossa Senhora da Conceição e Fêmina: 3/12 a 10/12 - haverá um banner na entrada do refeitório, com os dados de atendimento atuais do Re-Humam. No dia 10/12, a equipe estará na saída do refeitório, entregando materiais e à disposição dos (as) funcionários (as) que tiverem dúvidas sobre o tema.
Escola GHC: 25/11 a 2/12 - haverá um banner em local de acesso aos (as) funcionários (as) e residentes.
Créditos: Marianna de Azevêdo