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22.01.2025 CONSCIENTIZAÇÃO

Janeiro Branco estimula cuidados com a saúde mental

Equipes do Grupo Hospitalar Conceição buscam prestar assistência integral aos usuários do Sistema Único de Saúde
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Encontro do grupo de Economia Solidária do CAPS.
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No meio, a psicóloga, Isabel Hackner, acompanhada das residentes Maria de Fátima Ferretti e Júlia Kotzian.
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Psicóloga do Serviço de Reabilitação do Conceição Amanda Sprenger.

Desde 2014, por iniciativa de psicólogos brasileiros, o primeiro mês do ano, denominado Janeiro Branco, é marcado por uma campanha nacional sobre a importância do cuidado com a saúde mental em busca de maior qualidade de vida. A escolha da cor remete à ideia de uma “folha em branco”, incentivando as pessoas a reescreverem suas histórias e a priorizarem a saúde mental, num período também associado com recomeços, reflexões e novos projetos. O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), 100% SUS, acolhe os usuários com uma visão integral de saúde, ou seja, além dos aspectos físicos, há o cuidado com a saúde mental e emocional das pessoas. Com uma média de 586 atendimentos por mês, o Centro de Atenção Psicossocial II - Bem Viver (CAPS II), é um dos principais aliados na assistência aos pacientes a partir de 18 anos de idade, que estão em sofrimento ou com transtorno mental grave e/ou persistente. Com uma equipe multiprofissional, presta assistência individual e em grupo, com foco na reabilitação psicossocial.

Segundo a gestora do CAPS II, Lidiele Medeiros, a campanha do Janeiro Branco representa uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre a importância de cuidar da saúde mental. “O adoecimento psíquico é multifatorial, podendo ter relação com diferentes aspectos da vida, como alimentação, moradia, acesso à cultura e lazer, trabalho, entre outros”, esclarece. Ela reforça que a campanha propicia a reflexão sobre como é possível atuar na prevenção e na promoção de cuidados, com medidas que ampliem o bem-estar, tanto em nível individual quanto coletivo. Lidiele ressalta que o mês pode conduzir a uma reflexão sobre o modo de vida atual da pessoa, além de estimular o fortalecimento de laços comunitários de apoio solidário, considerados protetivos. A coordenadora do CAPS II do GHC salienta ainda que a campanha é um convite para pensar sobre as condições que agravam o sofrimento psíquico e podem levar à ampliação da consciência e incentivar a participação social na direção das mudanças necessárias rumo a uma sociedade que promova mais saúde mental.

Na mesma linha, a coordenadora técnica de Saúde Mental da Gerência de Atenção Primária à Saúde do GHC, Susiane Ferreira, enfatiza que falar sobre saúde mental se torna cada vez mais necessário, numa perspectiva de fazer com que as pessoas busquem ajuda. “Historicamente, as questões físicas recebem mais atenção, e os sintomas de depressão, ansiedade e outros transtornos podem ficar em segundo plano”, reforça.


ATENDIMENTO PSICOLÓGICO
A preocupação com a saúde mental dos usuários do SUS abrange outros serviços do GHC. Em dezembro de 2024, por exemplo, no Centro de Oncologia e Hematologia (COH), foram atendidos cerca de 60 pacientes, enquanto que, no Serviço de Reabilitação do Hospital Conceição, que conta com uma equipe de 9 psicólogas, foram 579. Segundo a psicóloga do COH, Isabel Hackner, no ambulatório, a busca por atendimento psicológico ocorre de forma espontânea ou por meio de encaminhamento dos profissionais da equipe. Já na enfermaria existe acompanhamento dos internados. “O principal objetivo nessa etapa é oferecer suporte emocional e auxiliar os pacientes, bem como seus familiares, a utilizarem recursos de enfrentamento adequados, que permitam passar pelo período de hospitalização da maneira mais tranquila possível, de forma a participar do próprio tratamento e da tomada de decisões”, salienta.

Em 16 anos de trabalho com a Psicologia, Isabel conta que, dentre tantas vivências, uma especialmente marcante foi o reencontro com um paciente que tratava uma leucemia aguda. Com idade entre 15 e 16 anos, o jovem sempre encarou o processo de tratamento com bom humor e otimismo e, felizmente, conseguiu recuperar a saúde. “Um dia, encontrei com ele no seu atual local de trabalho, em um shopping da cidade, estava de terno, bem arrumado e contou que conciliava o trabalho com os estudos na faculdade de Psicologia”, rememora. O antigo paciente disse a ela que a escolha pelo curso foi motivada pelo acompanhamento psicológico que recebeu durante o adoecimento. “Por mais que as pessoas associem o trabalho em Oncologia a algo pesado, triste, tenho a felicidade de vivenciar situações cotidianas, no contato com os pacientes, que mostram a importância do atendimento em saúde mental para auxiliar as pessoas a enfrentarem situações difíceis”, destaca.

A psicóloga do Serviço de Reabilitação do HNSC Amanda Sprenger também reforça a importância da assistência integral à saúde. Para ela, o bem-estar psicológico está associado à qualidade de vida e mais satisfação em atividades diárias, além de levar a uma produtividade maior e a mais qualidade nas relações interpessoais. “Procurar por atendimento psicológico faz parte de um tratamento em saúde mais amplo, no qual se considera aspectos do corpo e da mente do indivíduo de forma integral”, reitera. No contexto hospitalar do SUS, segundo ela, esse atendimento pode ser realizado durante as internações dos usuários, em que as questões relativas ao adoecimento físico e aos aspectos da saúde orgânica podem agravar quadros mentais prévios ou desencadear novos sintomas.

Créditos: Marianna de Azevêdo