Em funcionamento há quase um ano no Hospital Criança Conceição (HCC), o protocolo para assegurar atendimento prioritário a pessoas com deficiência já teve resultados positivos. De junho de 2024 a março de 2025, houve uma redução de 45,5% no tempo de espera desses usuários, do momento da chegada até a liberação, em comparação com o público em geral. O protocolo foi desenvolvido pela Comissão Especial de Políticas de Promoção de Acessibilidade e Mobilidade (Ceppam) e pela Gerência de Tecnologia da Informação do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), visando a garantir o cumprimento da legislação em vigor. Em processo de aprimoramento permanente, a iniciativa está implementada nos hospitais do Grupo e na UPA Moacyr Scliar.
Entre as principais mudanças incorporadas pelo protocolo no HCC, estão a criação de um espaço multissensorial, melhorias na sinalização e a adoção de um sistema que respeita o Protocolo de Manchester de classificação de risco, mas assegura o direito ao atendimento prioritário. O sistema inclui no prontuário do paciente um símbolo de identificação para deficiências ocultas: um quebra-cabeça para o autismo e um girassol para outras condições invisíveis.
A coordenadora de Hotelaria do HCC, Vanessa Bonilha, explica que, no caso de crianças com autismo, há uma sala de acolhimento com acústica reduzida, iluminação adaptável e um painel interativo para distração durante a espera. Ela acrescenta que a logística dos atendimentos também foi alterada. “Colocamos o atendimento da Psiquiatria e da Neurologia em locais com menos movimentação, para prover o suporte necessário”, afirma.
EFEITOS PRÁTICOS
Confira o depoimento de quem já percebeu os resultados do protocolo:
“Uma vez, há cerca de cinco anos, viemos aqui para consultar, e o hospital estava bem cheio e barulhento. Isso gerou uma crise no meu filho, ele saiu correndo, mas, felizmente, foi amparado por um trabalhador do hospital. Hoje em dia, ter um espaço dedicado a nós é maravilhoso, pois mostra que existe sensibilidade e preocupação com o nosso acolhimento, porque o barulho e luz incomodam muito.” Veridiana Couto
Créditos: Marianna de Azevêdo