Em alusão ao Dia Mundial da Saúde (7/4) e ao Dia dos Povos Indígenas (19/4), o Hospital Federal de Bonsucesso/Grupo Hospitalar Conceição (GHC), realizou o Circuito EKOBÈ: Vida que vem da Terra, uma série de atividades culturais e educativas que celebram a diversidade e promovem o cuidado humanizado no Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa foi promovida pela Gerência de Participação Social e Diversidade, por meio da Coordenação de Atenção Comunitária e Voluntariado, com o objetivo de valorizar os saberes tradicionais, a interculturalidade e a promoção da saúde de forma inclusiva.
“Decidimos que, neste mês de abril, era importante ir além da discussão sobre saúde pública e abrir espaço para uma escuta respeitosa da cultura indígena — compreendendo seus modos de vida e aprendendo com seus saberes. É fundamental um tratamento diferenciado, pois há doenças específicas e hábitos que influenciam tanto no campo biológico quanto cultural”, destacou Maria Fernanda Santos, chefe da Unidade de Participação Social e Diversidade.
A programação teve início no dia 28 com a roda de conversa “Promovendo a Saúde da População Indígena no HFB”, conduzida pela Dra. Luciana Pamplona, chefe da Divisão de Cuidados da Gerência de Atenção à Saúde do HFB/GHC. O encontro reuniu profissionais de diferentes áreas para refletir sobre os desafios e estratégias no atendimento à população indígena no ambiente hospitalar.
Em 2024, o HFB/GHC identificou 60 usuários indígenas residentes em áreas urbanas, especialmente no Complexo da Maré. Em 2023, o hospital também atendeu um indígena da etnia Pataxó.
Durante a roda de conversa, a Dra. Luciana apresentou estudos de caso e ressaltou a importância da escuta qualificada, do respeito à interculturalidade e da formulação de políticas públicas que assegurem o acesso pleno e equitativo aos serviços de saúde pelos povos originários. “A saúde da população indígena deve ser pensada de forma integrada, valorizando seus modos de vida, crenças e práticas tradicionais de cuidado”, afirmou.
A discussão serviu como base para a elaboração de um Procedimento Operacional Padrão (POP), com o objetivo de organizar o fluxo de atendimento à população indígena dentro do hospital, assegurando um cuidado especializado, culturalmente sensível e alinhado aos princípios da medicina tradicional.
A programação do Circuito EKOBÈ teve continuidade no dia 30, com atividades voltadas ao público usuário. Foram realizadas ações lúdicas e educativas, como o Jogo da Vitória-Régia, contação de histórias indígenas, dinâmicas interativas e jogos voltados à promoção da saúde e valorização cultural.
No mesmo dia, foi promovido o Encontro do Grupo de Apoio ao Laringectomizado Total (GALT), no espaço HFB Vida. A atividade integra a rede de cuidados oferecida pelo hospital a usuários em processo de reabilitação. Para além da dimensão clínica, o GALT desenvolve, por meio do canto-coral, um trabalho que reforça a importância da escuta, empatia e reconstrução da comunicação como elementos de autonomia e qualidade de vida.
O Circuito EKOBÈ representa um importante avanço na consolidação de práticas de saúde inclusivas, pautadas no diálogo entre saberes científicos e populares, reafirmando o compromisso do HFB/GHC com o respeito à diversidade e à dignidade de todos os povos.
Créditos: Texto: Mariléa Lopes Fotos: Priscila Cabral ASCOM/HFB.