Foi publicado no número atual do The New England Journal of Medicine, uma das revistas de mais prestígio na Medicina, um estudo multicêntrico mundial sobre um novo tratamento para o câncer de cabeça e pescoço, no que se configura como a primeira mudança no tratamento desse tipo de câncer dos últimos vinte anos. O Grupo Hospitalar Conceição participou desse trabalho, por meio do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Conceição, com a atuação dos médicos Gustavo Vasconcelos Alves, Juliana Menezes, Leonardo Almeida, Carlos Fausto Gorini, Andréa Moretto e demais profissionais da equipe, além do recrutamento de mais de 20 pacientes.
O estudo, chamado KEYNOTE-689, randomizou pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço avançado, aptos para o tratamento padrão, composto por cirurgia seguida de radioterapia com ou sem quimioterapia, ou para o braço experimental que adicionava a imunoterapia com o medicamento pembrolizumabe (anti-PD-1) antes da cirurgia e como manutenção pós-cirurgia.
A pesquisa mostrou que adicionar a imunoterapia no tratamento reduz em 34% o risco de reincidência da doença, ou dela se tornar metastática, ou de morte. Conforme o médico oncologista Gustavo Vasconcelos Alves, o modelo proposto pelo KEYNOTE-689, com imunoterapia neoadjuvante e adjuvante integrada ao tratamento padrão, representa uma abordagem inovadora e promissora, com potencial de estabelecer um novo padrão no tratamento desta população. O tratamento foi aprovado pela agência reguladora FDA (EUA), e aguarda a aprovação do EMA (Europa) e da Anvisa (Brasil).
Para Alves, a pesquisa clínica é de grande importância para os pacientes do sistema público de saúde, pois possibilita acessarem tratamentos melhores, inovadores e com potencial de aumentar a qualidade de vida, além de reduzir o custo para o SUS.
O câncer de cabeça e pescoço é um dos mais prevalentes no Rio Grande do Sul. Somente o Hospital Conceição fez em 2024 mais de cem diagnósticos. No Brasil, são registrados mais de 30 mil novos casos por ano. Entre os principais fatores que contribuem para a doença estão o consumo de cigarro e de álcool e o vírus HPV.
Créditos: Andréa Araujo.