Evitar a internação hospitalar desnecessária e promover a continuidade do tratamento em casa, a usuários a partir de 60 anos de idade são pontos centrais para melhoria da experiência do usuário no Hospital Federal de Bonsucesso/GHC. Um exemplo recente, foi a alta hospitalar do paciente Valdir Nogueira, de 64 anos, que estava internado há sete meses em decorrência de uma sepse pulmonar, que gerou outras complicações. Acompanhado de sua esposa Solimar Cantuário, ele deixou a unidade em meio a muita emoção, celebrando o início de uma nova fase.
“Estou muito feliz por receber alta. Eu estava praticamente morando aqui. Fui bem tratado, mas, sem dúvida, é muito melhor estar em casa”, comemorou Valdir, que mora na cidade de Japeri, na Baixada Fluminense.
A desospitalização é conduzida pelo Escritório de Gestão de Admissão e Altas (EGAA), implantado há dois meses no hospital, com o objetivo de promover liberações hospitalares qualificadas, seguras e humanizadas. O setor é vinculado à Divisão de Regulação do HFB/GHC, que faz parte da Gerência de Valor em Saúde, e atua de forma integrada com as equipes assistenciais e a rede de atenção primária à saúde de diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro.
"A gente não cuida apenas da alta, mas de todo o caminho que a viabiliza. É um trabalho de articulação, escuta e construção de soluções possíveis para cada caso", explica a responsável pela Divisão de Regulação, Iandara de Moura, acompanhada da enfermeira Eliana Malheiros, que integra a equipe da EGAA.
Após a alta, quando há indicação, o usuário é encaminhado para ser assistido pelo Programa Melhor em Casa, iniciativa do Governo Federal, que oferece atendimento domicilar às pessoas restritas ao leito e que precisam de acompanhamento de saúde. O serviço é operacionalizado pelas prefeituras que aderem ao programa — no caso do HFB/GHC, em sua maioria, pacientes residentes na cidade do Rio de Janeiro.
Por conta disso, o HFB/GHC tem realizado encontros com equipes da Secretaria Municipal de Saúde do Rio para preparar equipes do hospital, na adequação aos protocolos do município para o Programa Melhor em Casa, que faz acompanhamento médico, de enfermagem, fisioterapia e outros serviços de acordo com a necessidade de cada paciente.
Atualmente, o HFB/GHC conta com 55 pacientes com mais de 30 dias de internação. Segundo Iandara, a desospitalização representa, não apenas a liberação de leitos, mas, sobretudo, a devolução dos pacientes ao convívio social e familiar.
“O processo também envolve o compromisso da família, que assina um termo de responsabilidade e passa a ser fundamental nesses cuidados. O acompanhamento domiciliar é feito por equipe multiprofissional, mas o hospital permanece como retaguarda, especialmente nos casos mais complexos”, explica.
Vale destacar que o HFB já realizava ações de desospitalização por meio de uma comissão. A diferença é que agora essa prática passa a ser rotina no trabalho do EGAA, com acompanhamento desde a admissão do paciente, cadastro de acompanhantes e responsáveis, previsão de permanência e vigilância dos casos que ultrapassam esse prazo, além da inclusão da família em todo o processo até o pós-alta.
Créditos: Texto: Mariléa Lopes / Fotos: Assessoria de Comunicação/HFB