Nesta segunda-feira, 14 de julho, ocorreu, no Anfiteatro do Hospital Criança Conceição (HCC), a aula “Cuidados Paliativos em Pediatria – O Luto Parental”, em alusão ao Julho Âmbar. A aula foi ministrada por Tatiana Maffini, fundadora da ONG Amada Helena e ativista na causa dos pais enlutados, e teve como objetivo sensibilizar e instruir a atuação dos profissionais de saúde com pais que perdem os filhos.
O mês de conscientização do luto parental – Julho Âmbar – é um movimento internacional para honrar os filhos que morreram e homenagear sua memória, fomentando o apoio social às famílias que tentam sobreviver após a morte de um filho.
Em sua fala, Tatiana abrangeu a comunicação consciente e responsável no acolhimento dos pais enlutados. “As pessoas falam querendo acolher, mas muitas vezes dizem o que não é indicado, como ‘Deus quis assim’, será que aquela família acredita em Deus?”, aponta a ativista. Ela sugere a substituição por expressões que ajudem a validar a experiência e transmitir cuidado, como “estou aqui para você”, “seu sentimento é válido”, “tem alguém específico que você gostaria que fosse contatado?” e outras variações.
Além disso, a ativista ressalta a importância de políticas públicas que amparem esses pais. Em 2022, foi instituída a Lei Helena Maffini (Lei Nº 15.895/2022), uma política pública estadual do Rio Grande do Sul que estabelece os procedimentos a serem adotados nos casos de perda gestacional, natimorto e perda neonatal nos serviços públicos e privados de saúde contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS). Dentre os procedimentos, Tatiana destaca a ofertar acompanhamento psicológico aos pais, oportunizar a despedida do bebê, assegurar a possibilidade de guardar alguma lembrança e ofertar a possibilidade de decisão sobre a realização de sepultamento do feto – garantindo à mãe e ao pai assistência humanizada e igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie.
Ao final da aula, ocorreu a doação pela ONG de caixas personalizáveis, com elefantes de pelúcia, panos de “cheirinho”, quadro do pezinho e outros itens para guardar memórias dos bebês.
Créditos: Evelise Machado