O Serviço de Nutrição e Dietética (SND) do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) encerrou o primeiro semestre de 2025 com resultados expressivos que refletem avanços no atendimento nutricional e na gestão de recursos. O relatório semestral, divulgado na última semana, destaca o papel estratégico do setor na qualificação da assistência hospitalar em um contexto de alta complexidade.
Entre os principais indicadores, a ampliação da cobertura de triagem nutricional precoce se sobressai. Com reorganização de processos e reforço no quadro técnico, a taxa de triagens realizadas nas primeiras 48 horas de internação cresceu, aproximando-se da meta recomendada pelo Ministério da Saúde de, ao menos, 80% de cobertura. A medida visa a identificar riscos nutricionais com antecedência e promover intervenções mais eficazes, impactando positivamente na recuperação dos pacientes.
A produção ambulatorial também apresentou crescimento expressivo. A média mensal de consultas nutricionais aumentou 112% nos últimos dois anos, saltando de 151 atendimentos, em 2023, para 319, em 2025. Já as avaliações nutricionais durante a internação cresceram aproximadamente 31% no mesmo período.
No que se refere à produção de refeições, os dados também revelam uma trajetória de expansão para pacientes internados, com média mensal de 124.677 refeições, em 2025, o que representa um crescimento de 9% em relação a 2023. Além do aspecto quantitativo, houve aprimoramentos qualitativos no cardápio, como a valorização de preparações próprias da equipe e a incorporação de alimentos da agricultura familiar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal, alinhando-se às diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira.
O relatório aponta ainda que o refeitório dos trabalhadores registrou queda na produção de refeições, passando de 69.642, em 2023, para 59.205, em 2025. A redução está associada ao controle mais rígido de acesso a partir de outubro de 2024 e ao aumento do valor do auxílio-alimentação. O cardápio, entretanto, segue sendo aprimorado e passou por reformulações com foco na promoção da saúde, com a inclusão do iogurte da agricultura familiar e do requeijão caseiro no lugar da maionese industrial.
A contratação de 71 novos profissionais, entre 2023 e 2025, foi apontada como fator determinante para os avanços registrados. A ampliação da equipe impactou, diretamente, a produção ambulatorial, a triagem nutricional e a reestruturação dos cardápios, consolidando o Serviço de Nutrição e Dietética como componente-chave na assistência clínica e na segurança alimentar.
No aspecto financeiro, o custo médio mensal com a alimentação dos pacientes cresceu significativamente, passando de R$ 710 mil, em 2023, para R$ 962 mil, impulsionado pela qualificação do padrão alimentar e pela ampliação dos leitos, especialmente, com a abertura do Centro de Oncologia e Hematologia. Já os custos com o refeitório, referente a funcionários, mantiveram-se, relativamente, estáveis.
DESAFIOS
Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios. O índice de absenteísmo aumentou quase 50% em dois anos, o que levanta preocupações quanto ao desgaste físico e mental dos profissionais. O relatório recomenda medidas estruturadas para enfrentamento do problema, como a revisão das escalas de trabalho, o suporte psicossocial e o fortalecimento dos programas de saúde ocupacional.
Por outro lado, houve uma queda expressiva no número de horas extras: de mais de 2.800 horas no primeiro semestre de 2023 para, apenas, 342 horas em 2025, o que significa uma redução em torno de 83%. Essa diminuição é atribuída, diretamente, à ampliação do quadro de pessoal, o que contribuiu para uma gestão mais eficiente dos recursos humanos e para a melhoria das condições de trabalho.
Com base nos dados apresentados, o relatório conclui que o SND se consolida como um setor estratégico na promoção da saúde e na eficiência hospitalar, e recomenda a manutenção dos investimentos em pessoal, infraestrutura e qualificação profissional como elementos essenciais para a continuidade dos avanços.
PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS
Para o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a implementação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal é prioridade, dentro do contexto da inclusão de produtos mais saudáveis no cardápio de pacientes e trabalhadores. Hoje, já existem 21 contratos ativos com cooperativas de agricultores familiares para fornecimento de itens in natura.
A legislação que implantou o Programa de Aquisição de Alimentos (Lei 14.628/2023) estabelece a meta de 30% de aquisição de gêneros alimentícios da Agricultura Familiar. No primeiro semestre de 2025, o GHC atingiu 31,8% de valores destinados às cooperativas, cumprindo o percentual estabelecido.
Desde o início do Programa, o GHC já contratou R$ 22,4 milhões com cooperativas de agricultura familiar. Além disso, os hospitais Fêmina, Conceição, Cristo Redentor e Bonsucesso contam com uma feira orgânica semanal, que auxilia os trabalhadores no processo de busca por uma alimentação mais saudável e na compra de produtos orgânicos por um preço acessível.
Créditos: Marianna de Azevêdo