Com previsão de publicação em setembro deste ano na Revista Archives of Endocrinology and Metabolism, o cirurgião do Serviço de Endocrinologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição José Gustavo Olijnyk conduziu um estudo intitulado “Tendências epidemiológicas das adrenalectomias no Brasil: um estudo de corte do sistema público de saúde brasileiro”. Além de Olijnyk, são autores Maysa Tayane Santos Silva, Leandro Totti Cavazzola e Mauro Antônio Czepielewski.
Conforme eles, “frente a dados escassos, até o momento, sobre o tratamento cirúrgico das doenças adrenais no Brasil, conduzimos um estudo de coorte retrospectivo dos registros do banco de dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) de janeiro de 2008 a dezembro de 2022. Hospitais públicos brasileiros foram estratificados com base no volume de procedimentos e foram comparados dados demográficos, terapêuticos e de mortalidade. Ocorreu um aumento global de adrenalectomia em 49,6%, totalizando 6.771 no período; as adrenalectomias oncológicas aumentaram 154%, especialmente na Região Sul. Identificamos maior risco de mortalidade em centros de baixo volume, tanto em cirurgias oncológicas quanto não oncológicas”.
Olijnyk enfatiza que “este levantamento, pela primeira vez, caracterizou o tratamento cirúrgico das adrenais com abrangência de todo o território nacional e, assim, confirmamos que os melhores desfechos são alcançados nos hospitais que possuem um alto volume anual, incluindo menor risco de mortalidade. Nesse sentido, o Hospital Conceição foi o oitavo dentre os hospitais públicos brasileiros com maior volume no período estudado. Já em 2024 atingimos uma produção comparável aos três maiores volumes hospitalares da série”, complementa. Outro aspecto relevante apontado foi a identificação de maior incidência de adrenalectomias em oncologia nos estados da Região Sul, o que pode orientar políticas de saúde pública.