A Praça da Liberdade do Hospital Federal de Bonsucesso/GHC foi palco, nesta quarta-feira (20), de um encontro marcado pela fé, pelo respeito, pela diversidade e pela luta contra o preconceito. O evento em homenagem a Omolú (Orixá da Saúde e da cura nas religiões de matriz africana) reuniu trabalhadores, usuários e convidados em uma ação que reafirma o compromisso do hospital no combate ao racismo e à intolerância religiosa.
A iniciativa foi organizada pela Gerência de Participação Social e Diversidade, que destacou a importância de promover espaços de valorização cultural e espiritual dentro do hospital. “Nós somos diversos, e o hospital reflete a diversidade da sociedade”, destacou a gerente Annyeli Nascimento. Ela disse ainda que as pessoas se emocionaram e se sentiram acolhidas no momento voltado à reflexão, à fé e ao conhecimento. “Estamos empenhados em trazer propostas, campanhas e conscientização para que todos tenham clareza de que o respeito ao próximo é um princípio que deve ser seguido em qualquer lugar da vida, seja no trabalho ou em casa”, complementou.
Entre os convidados, esteve Wanda Araújo, Iyalorixá e dirigente do Centro de Tradições Egi Omim, um quilombo urbano localizado no bairro de Santa Teresa, região central do Rio. “Muitas pessoas não têm compreensão de quem nós somos e viver a diversidade hoje é o nosso grande desafio. Palavras de cura foram ditas aqui, e acredito que precisamos nos ouvir mais, entendendo que ser diferente não é errado”, salientou. Segundo ela, o pensamento de amor que é emanado para o outro não tem fronteiras. “Que essa roda cresça cada vez mais e que possamos compreender que a diversidade não é para competir, mas para nos fazer crescer de verdade, evoluindo de dentro para fora”, reforçou.
Durante o encontro, foram reforçadas reflexões sobre o respeito às diferentes crenças, a preservação das tradições afro-brasileiras e a necessidade de fortalecer ações que ampliem a igualdade e a inclusão no ambiente hospitalar. O evento reafirmou o compromisso do HFB/GHC em construir um espaço plural, de diálogo e acolhimento, demonstrando que saúde e diversidade caminham lado a lado.
Para o enfermeiro Erivan de Lyra, que atua no HFB há 20 anos, a celebração tem um significado especial. “Trabalho aqui há duas décadas e esse momento que presencio é de mudança, e para melhor”, comemorou. Para ele, as religiões de matriz africana não precisam de tolerância, mas, sim, de respeito. “Somos diversos e, independentemente de quem sejamos, precisamos ter um olhar holístico para todos que chegam. Cada pessoa tem o direito de professar a sua fé”, afirmou.
Créditos: Texto: Mariléa Lopes / Fotos: ASCOM/HFB