Com o objetivo de promover a sensibilização dos profissionais do GHC quanto à gestão de riscos e segurança do paciente a partir de uma cultura de segurança institucional, foi realizada, nesta segunda-feira (6), no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, a edição de 2025 do Seminário de Segurança do Paciente do GHC. O evento reuniu especialistas de diferentes áreas e promoveu o debate sobre como conciliar a ampliação no número de atendimentos sem abrir mão da qualidade, garantindo-se a segurança do usuário.
Na Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente da ANVISA em 2024, todos os hospitais do GHC em Porto Alegre (Nossa Senhora da Conceição, Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina) atingiram alta conformidade. O Hospital Nossa Senhora da Conceição atingiu 100% de conformidade pelo segundo ano consecutivo.
Mesa de abertura
Na abertura do evento, a coordenadora da Gestão de Riscos do GHC, Vanessa Catalan, destacou que uma das principais tarefas da área é respeitar o fator humano. “Não podemos deixar de cuidar da vida das pessoas”, enfatizou.
Gerente de Governança, Riscos e Conformidade da instituição, Leandro Pires Barcellos apresentou os números da produção assistencial do GHC nos últimos dois anos, que apontam para um significativo aumento desde os atendimentos ambulatoriais aos exames diagnósticos e cirurgias. Por outro lado, diminuíram as taxas de mortalidade, infecção por cateter e queda do paciente. “Imaginem o tamanho da fila do SUS e o papel do GHC. O que nós todos, em conjunto, estamos entregando para a sociedade é grandioso”, afirmou, destacando a importância de se manter a qualidade diante do aumento da produção. “Que esse dia nos ajude nesse desafio de aliar quantidade e segurança do paciente”, enfatizou.
A diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHG, Quelen Tanize Alves da Silva, também destacou a necessidade de se ampliar o acesso à saúde com qualidade e segurança para os pacientes. “O risco na assistência precisa ser pensado o tempo todo. É importante termos processos de trabalho e protocolos que nos permitam ter e avaliar a segurança do paciente para que nossos números também signifiquem excelência”, afirmou.
Fator Humano
Cassiana Prates, Doutora em Enfermagem e docente na área de qualidade e segurança do paciente, abordou o fator humano na segurança do paciente. Para ela, é preciso criar um sistema de saúde justo, transparente e livre de danos, onde pacientes e trabalhadores estejam seguros. “Apesar de todos os avanços na área, ainda temos sérias lacunas a preencher. A cada três minutos, três pacientes morrem por falhas nas instituições”, afirmou, citando casos como óbitos por troca de medicações e cirurgias erradas.
Conforme a especialista, fatores humanos são as principais causas de falhas na assistência. “Cometemos erros bobos independente da nossa formação, experiência, inteligência, motivação ou vigilância. Erro é do ser humano. O que precisamos fazer é entender isso e colocar barreiras para que esse erro não ocorra”, disse. Cassiana defende que o modelo da aviação deve seguir de exemplo para a área da saúde. “A aviação entendeu que não adianta culpar o piloto quando cai um avião. Aceitou a fatalidade humana como fator inevitável e, ao invés de exigir a perfeição constante, buscou aperfeiçoar seus sistemas e equipamentos para evitar erros”, explicou, acrescentando que 70% dos erros são evitáveis.
De acordo com a especialista, falhas de comunicação estão entre as principais causas de adventos adversos graves, superando fatores técnicos. Entre as ferramentas que podem contribuir para melhorar o fator humano citadas pela especialista, estão o check-list da cirurgia segura – “a ferramenta mais eficiente contra lapsos de memória e falhas de atenção” – e a realização de simulações realísticas.
Judicialização na saúde, segurança psicológica e inovação
Ainda pela manhã, o gerente da Assessoria Jurídica do GHC, Maicon Barbosa, realizou apresentação sobre a judicialização na área da saúde, abordando o cuidado e a responsabilidade. A psicóloga do Serviço de Reabilitação do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Amanda Sprenger, reforçou a importância da segurança psicológica e segurança do paciente. Ela abordou os fatores que favorecem ou que minam uma cultura de segurança psicológica, gestão de conflitos, responsabilidade organizacional, entre outros temas.
Ana Helena Ulbrich, que foi farmacêutica do GHC e é cofundadora do NoHarm.ai, também palestrou no evento. Abordando o uso da Inteligência Artificial (IA) na Segurança do Paciente, Ana contou sobre o desenvolvimento do “NoHarm”, ferramenta desenvolvida junto de seu irmão para auxiliar a Farmácia Clínica na tomada de decisão. “Em colaboração com hospitais de Porto Alegre, desenvolvemos dois algoritmos para otimização da validação farmacêutica para priorização de prescrições fora do padrão e identificação de pacientes críticos”, explicou, acrescentando que o sistema se vincula aos dados dos hospitais e indica onde estão os potenciais erros de prescrições, aumentando a qualidade assistencial e a eficiência hospitalar. Segundo a Revista Time, Ana é uma das 100 pessoas mais influentes em IA no mundo.
Experiência do cuidado
A primeira palestra da tarde, “De Gestor a Paciente: Experiências do Cuidado”, foi ministrada pela coordenadora de Enfermagem do Centro de Oncologia e Hematologia do GHC, Elisabete Storck Duarte. Com um relato emocionante sobre quando se viu “do outro lado” do contexto de segurança do paciente, durante o tratamento de um câncer, a coordenadora explicou a importância de determinados protocolos no manejo dos usuários. Segundo ela, a experiência que teve na sua vida pessoal fez com que o seu olhar para a vida profissional se ampliasse.
“O meu foco é muito mais agora no paciente, no tempo de espera, pensando sempre na qualidade da assistência. Eu me sinto muito mais responsável hoje pelo paciente do que eu era cinco, seis anos atrás. É ampliar acesso, é ter mais qualidade em um tempo menor, porque tempo é vida para o paciente com câncer” descreve Elisabete.
Matriz de Riscos
O segundo painel, apresentado pela coordenadora da Gestão de Riscos, Vanessa Menezes Catalan, abordou a Matriz de Riscos do Grupo Hospitalar Conceição. Seguindo o mesmo viés, a assistente de coordenação do Laboratório de Patologia do HNSC, Gabriele Nunes Souza, especificou a matriz de riscos utilizada no serviço de patologia da instituição. Para Gabriele, a palestra foi essencial para que outros setores do GHC conhecessem a área da patologia do hospital e como ela atua.
“Além de mostrar a matriz de risco, como ela contribui para a gestão visualizar os processos e planejar as aquisições de cargos de novos, de equipamentos, de estrutura, e ver como ela é importante tanto como qualquer outro serviço dentro do serviço diagnóstico” completou a assistente.
Cuidados com recém-nascidos
Após o intervalo, a mesa “Cuidados Seguros para cada Recém-nascido: Iniciativas para a Segurança do Paciente” foi mediada pela enfermeira da Gestão de Risco Assistencial do Hospital Criança Conceição (HCC), Victória Sakamoto. O tema reafirma o direito de toda criança a um cuidado seguro e de qualidade.
As profissionais que contribuíram com o debate sobre formas de diminuir riscos evitáveis no tratamento de recém-nascidos foram a assistente de coordenação de Enfermagem da Unidade de Tratamento Intensivo do HCC, Karina Schwartz dos Santos, a enfermeira da UTI Neonatal do Hospital Fêmina Sanah Issa e a médica neonatologista do HNSC Simone Ávila Schneider. “Moderar essa mesa foi uma oportunidade muito importante para reforçarmos o compromisso e a dedicação das nossas equipes, que compartilharam as suas experiências evidenciando que fazem a diferença no cuidado e na vida dos nossos pacientes” finalizou Victória.
Créditos: Ana Luiza Godoy, Elisa Heinski e Marianna Azevêdo Fotos: Ana Luiza Godoy, Elisa Heinski, Igor Adriano da Rosa Leite, Marianna Azevêdo