O Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta quinta-feira (16), contou com uma série de atividades no Grupo Hospitalar Conceição. Os hospitais Cristo Redentor, Fêmina e Nossa Senhora da Conceição realizaram eventos sobre o tema.
Desde 2023, o GHC intensificou as ações de segurança alimentar, garantindo uma alimentação mais saudável no cardápio oferecido aos pacientes e nos refeitórios, além de adquirir alimentos da agricultura familiar, instituir feiras agroecológicas em todos os seus hospitais, fomentar hortas comunitárias nas unidades de saúde e apoiar cozinhas solidárias. O objetivo é garantir mais saúde para os usuários do SUS e para os trabalhadores da instituição, além de incentivar o consumo consciente e sustentável.
“Nós cumprimos um papel pedagógico. Se eu sirvo um alimento ultraprocessado num hospital, estou ensinando as pessoas que elas podem comer aquilo”, afirma o chefe de gabinete do GHC, Alex Borba.
Revolução no Prato: Conhecendo o Guia Alimentar para a População Brasileira e a composição dos alimentos
O Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) realizou debate em parceria com a Gerência de Atenção Primária à Saúde (GAPS), divulgando o Guia Alimentar para a População Brasileira e abordando a composição dos alimentos. A atividade ocorreu no auditório do Centro de Oncologia e Hematologia.
Na abertura do evento, o diretor Administrativo e Financeiro do GHC, João Motta, abordou a relação entre alimentação saudável e sustentabilidade. “Discutir alimentação saudável também é discutir a preservação da vida e do planeta. Não existe saúde sem alimentação saudável”, afirmou. “É importante que o GHC, enquanto empresa pública, consiga fazer esse debate e avançar contratando pequenos produtores. Não é fácil, mas seguiremos fazendo essa disputa no discurso e na realidade”, destacou a diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação, Quelen Tanize Alves da Silva.
A gerente da GAPS, Gerusa Bittencourt, abordou o desenvolvimento das hortas comunitárias nas unidades de saúde e a parceria com cozinhas comunitárias. “A organização das comunidades com suporte do governo inverte a lógica da simples doação. É uma lógica de organização social que empodera as comunidades”, afirmou. O gerente Administrativo do HNSC, Alvarim Severo, destacou competência da equipe de Nutrição e Dietética do hospital e a importância de se garantir alimento saudável aos usuários do SUS.
A nutricionista Marilia Unello Garcez, coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética (SND) do HNSC e presidente da Comissão de Segurança Alimentar e Nutricional do GHC (Cosean), disse que o dia 16 de outubro é uma data para parar e pensar sobre o que estamos comendo, onde e como esse alimento é produzido e como ocorre o acesso à alimentação. Lembrando a meta estabelecida em 2023 para avançar na alimentação saudável, destacou que a maior parte das preparações do Hospital Conceição são feitas pela própria equipe, priorizando alimentos frescos e minimamente processados.
A primeira mesa de debates abordou os "Desafios e Soluções para um Sistema Alimentar Sustentável". Raquel Canuto, pesquisadora e docente do Departamento de Nutrição e dos programas de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde e em Epidemiologia da UFRGS, falou sobre os pântanos e desertos alimentares, que são regiões com excesso de oferta de alimentos ultraprocessados e regiões com escassez de alimentos saudáveis, respectivamente. Michel Lara de Oliveira, psicólogo especialista em Agroecologia e agricultor familiar agroecológico, abordou o sistema alimentar saudável. Já Rita Cuervo, nutricionista e bióloga, professora dos cursos de Nutrição e Gastronomia da PUC-RS, tratou sobre o Direito Humano à alimentação.
A mesa Guia Alimentar para a População Brasileira e as ações do HNSC foi apresentado pelas profissionais Marilia Unello Garcez; Lena Azeredo de Lima, nutricionista da equipe de matriciamento da Gerência de Atenção Primária à Saúde e preceptora do Programa de Saúde da Família na Residência Multiprofissional em Saúde; Laura Scott, nutricionista residente no Programa de Saúde Coletiva do GHC; e Daniela Lima Dutra, responsável técnica do SND do HNSC.
A última apresentação abordou o atendimento humanizado na abordagem da obesidade e contou com a participação da médica endocrinologista na Atenção Primária à Saúde e professora na Univates Ângela Paveglio Teixeira Farias e da nutricionista especialista em Saúde da Família Gabriela Guedes.
Nos debates, ficou evidenciado que a forma como nos alimentamos não é determinada apenas por escolhas pessoais, já que a organização da sociedade, a propaganda de produtos alimentícios e fatores econômicos e culturais têm forte influência no sistema alimentar. Tendo em vista o consumo exagerado de produtos ultraprocessados, nas comunidades atendidas pela GAPS, a obesidade e doenças crônicas estão presentes em pacientes cada vez mais jovens.
Oficina fazendo escolhas que promovem saúde
Também na programação da Semana Mundial da Alimentação, o Hospital Fêmina promoveu, dias 15 e 16, oficina sobre Alimentação Saudável, apresentando o Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial do Ministério da Saúde que traz diretrizes e recomendações para uma alimentação saudável e adequada à população. Os nutricionistas da instituição Cristiane Rampelotto, Carlos Moraes e Matheus Vieira foram convidados para apresentar os grupos de alimentos do guia e destacar os principais cuidados no consumo de cada um.
Em formato de debate, o encontro abordou diversos temas que geram dúvidas no dia a dia, principalmente na hora de fazer as compras do supermercado, como a diferença entre produtos “light” e “diet”. Os profissionais explicaram que os alimentos “light” têm redução de, no mínimo, 25% de algum componente, como açúcar, sal ou gordura, em relação à versão original. Já os produtos “diet” são voltados a dietas específicas, como no caso de pessoas com diabetes, substituindo o açúcar por outros adoçantes.
Os nutricionistas também reforçaram a importância de ler os rótulos dos alimentos. A análise da lista de ingredientes permite identificar produtos ultraprocessados, que muitas vezes são comercializados como opções saudáveis. Para ilustrar o tema, foi proposta uma dinâmica em que o público recebeu quatro alimentos e teve de ler os ingredientes e classificá-los conforme os grupos do guia.
Cristo Redentor ofereceu alimentos da agricultura familiar
Os trabalhadores do Hospital Cristo Redentor contaram com um almoço especial e receberam um kit com produtos da agricultura familiar, contendo suco integral e bolo de aveia com banana. No refeitório, displays de mesa e cartazes orientaram sobre os pilares do Guia Alimentar para a População Brasileira e os malefícios dos ultraprocessados para a saúde.
Créditos: Ana Luiza Godoy e Rafael Macchi