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21.10.2025 MATERNIDADE

Hospital Fêmina promove Encontro de Humanização do Luto Materno e Parental

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Grupo de Luto Materno e Parental do HF reuniu profissionais da saúde para discutir e compartilhar práticas de acolhimento a famílias que vivenciam a perda de um bebê durante a gestação ou após o parto.
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Profissionais compartilharam suas experiências nesses momentos delicados.
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A palestrante Cláudia dos Santos, psicóloga do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, orientou sobre a importância da sensibilidade durante este processo, respeitando o momento difícil da família.


Nessa segunda-feira, 20 de outubro, o Grupo de Luto Materno e Parental do Hospital Fêmina (HF) promoveu o primeiro Encontro de Humanização do Luto Materno e Parental, em alusão ao Mês do Luto Gestacional, Neonatal e Infantil. Realizado no auditório do hospital, o evento reuniu profissionais da saúde para discutir e compartilhar práticas de acolhimento a famílias que vivenciam a perda de um bebê durante a gestação ou após o parto.

A enfermeira Viviane Castro, assistente de coordenação da Linha Mãe Bebê e integrante do grupo de luto do Fêmina, destacou que o GHC tem ampliado ações voltadas à humanização desses atendimentos. “No Hospital Fêmina, temos um grupo de medicina fetal, com uma equipe multiprofissional que faz um trabalho de preparo psicológico com os pais que podem vir a perder o bebê ainda na gestação ou logo após o nascimento”, explicou.

Entre os temas debatidos, esteve a Lei nº 15.139, de 23 de maio de 2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental. A norma propõe diretrizes para assegurar um atendimento mais sensível e integral às famílias que passam por esse tipo de perda. A palestrante Cláudia dos Santos, psicóloga do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, refletiu sobre a importância da lei e a necessidade de se falar sobre o tema dentro das instituições de saúde. “Que pena que precisamos de uma lei para dizer que é preciso cuidar do outro, principalmente em momentos de tanta fragilidade. O luto parental precisa de espaço para ser vivido, respeitando a dor e a saúde mental dessas famílias”, disse.

Durante o momento da palestra, profissionais compartilharam experiências sobre a atuação da equipe do Fêmina em casos de perda gestacional. A psicóloga orienta a sensibilidade dos profissionais com as famílias em todas as etapas, desde a comunicação do óbito até o acompanhamento psicológico pós-alta. Oferecendo orientações sobre como lidar com o enxoval e o quarto do bebê, a possibilidade de realizar despedidas simbólicas, registrar o nome do filho e participar da despedida. “A perda não foi uma escolha dos pais, não há pressa. Cada família tem seu tempo para elaborar esse processo”, destacou a palestrante.

Mas o trabalho também inclui atenção à equipe de saúde, que muitas vezes enfrenta o impacto emocional dessas situações. O acolhimento entre colegas e a possibilidade de reorganizar escalas para quem vive um momento de fragilidade pessoal são práticas que devem ser incentivadas dentro do hospital. “Às vezes enfrentamos uma perda logo na primeira hora do plantão de 12 horas, e temos que enfrentar esse sentimento e continuar", relata uma das profissionais de saúde do grupo.

A enfermeira da UTI Neonatal Fabiola Suric apresentou a aplicação dos cuidados paliativos perinatais como uma abordagem humanizada, que necessita de cuidado e compaixão nestes momentos delicados da vida “Precisamos falar sobre isso entre as equipes, para melhorar o atendimento às famílias e oferecer um cuidado mais sensível a todos”, afirmou.

O encontro reforçou o compromisso do Hospital Fêmina com a humanização do cuidado e com o fortalecimento de políticas que reconheçam o luto parental como uma vivência legítima, que merece acolhimento e acompanhamento contínuo.

Créditos: Rafael Macchi.