Na tarde dessa quinta-feira, 23 de outubro, o Ambulatório de Identidade de Gênero (Amig) do Grupo Hospitalar Conceição comemorou cinco anos de existência. A data foi marcada por uma celebração na unidade e contou com a presença de profissionais, usuários e familiares, além da diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação, Quelen Tanize Alves da Silva, e da gerente de Atenção Primária à Saúde do GHC, Gerusa Bittencourt. O evento também inaugurou oficialmente a sede do serviço, localizada na Rua Gaston Englert, 318, Vila Ipiranga.
A comemoração iniciou com um aulão de yoga para os presentes e com uma apresentação do grupo Tocante GHC, composto por voluntários e usuários do CAPS AD. Em seguida, a personagem drag queen Luana Soft comandou um show de talentos dos usuários. Apresentações de violino, declamação de poemas e cantoria fizeram parte das atrações.
Para a psicóloga e membro do colegiado de coordenação das atividades do Amig Silvia Ramão, o serviço faz parte de uma rede de assistência essencial para a comunidade trans da cidade e está cada vez mais se consolidando e demonstrando sua importância social e de saúde pública:
“Nós oferecemos atendimento com médico e acompanhamento psicossocial nesse processo de transição de gênero, que pode ser muito desafiador para as pessoas. Embora seja algo que as pessoas desejem muito, tem diversos desafios. Muitas vezes, inclui uma vivência de conflito e de ambivalência. Então, apoiamos as pessoas nesse processo por meio de um atendimento psicossocial e multidisciplinar.”
O Amig
O serviço do Ambulatório de Identidade de Gênero realizou seus primeiros atendimentos há cinco anos. Inicialmente, a assistência ficava disponível quinzenalmente, anexa à Unidade de Saúde Conceição. Em 2023, foi transferida para o CAPS AD e desempenhava o trabalho duas vezes por semana. Porém, segundo Silvia, era preciso o desenvolvimento de um serviço consolidado e com ampla atuação para essa população, que demandava a assistência especializada.
“Tínhamos muita demanda, mas não conseguíamos dar conta. Nós tínhamos esse sonho e esse pedido dos usuários que ampliássemos os nossos horários de atendimento, porém, não tínhamos uma equipe formada, nem um espaço. Nós também trabalhávamos em outras equipes, mas vínhamos por acreditar na causa e na necessidade de um atendimento cuidadoso, acolhedor e especializado para essa população”, detalha a psicóloga.
A nova sede foi conquistada em outubro de 2024. A partir de 2025, houve a consolidação do serviço, com transferência de profissionais para formar a equipe do Amig, inclusive com a contratação de novos profissionais. Atualmente, a unidade tem cerca de 600 usuários cadastrados e atende em torno de 80 a 100 pessoas por semana no ambulatório.
A procura por auxílio no processo de transição de gênero é espontânea e o acolhimento, multidisciplinar. Fazem parte da equipe médicos de família e comunidade, psiquiatras, nutricionistas, endocrinologista, psiquiatra infantil, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, residentes e terapeutas ocupacionais. O atendimento é 100% SUS e é direcionado para todas as faixas etárias - crianças, adultos e idosos – além de se estender para os familiares dos usuários.
Créditos: Elisa Heinski