Com investimento em tecnologia de alta precisão, o Hospital Federal de Bonsucesso, sob a gestão do Grupo Hospitalar Conceição, reforça seu papel como centro de referência no tratamento de crianças com cardiopatia congênita. No último mês de outubro, a equipe da Hemodinâmica Pediátrica voltou a realizar um dos procedimentos mais modernos do setor: cateterismo para correção de má formação no coração, sem a necessidade de cirurgia aberta. Essa intervenção estava parada há dois anos por falta de prótese e foi retomada graças à aquisição do material pelo GHC.
Na técnica utilizada, os médicos introduzem um cateter por um vaso sanguíneo da virilha e, guiados por ecocardiograma, posicionam uma prótese de metal no coração, selando a abertura com precisão. O material usado adere ao tecido cardíaco e não precisa ser substituído. O método é minimamente invasivo, promove recuperação rápida, menor risco de complicações e a alta hospitalar é no dia seguinte.
“É realmente um grande avanço em termos de recuperação e qualidade de vida. Antes, a criança precisava de cirurgia e ficava até três semanas internada. Além disso, o investimento é alto. Cada prótese custa mais de R$ 20 mil. No SUS, são poucos os locais habilitados a realizar esse tratamento”, explica o médico hemodinamicista Rafael Agostinho, que está à frente do procedimento, junto ao Dr. Bernardo Ramos. Os dois são referências nacionais no segmento.
No dia 13 de outubro, a equipe realizou um dos primeiros procedimentos dessa nova fase. A pequena Eloá Barcelos, de um ano e meio, diagnosticada com Persistência do Canal Arterial (PCA), recebeu o dispositivo no ladinho esquerdo do peito numa intervenção bem-sucedida, que durou cerca de 40 minutos. Logo depois, a criança já estava interagindo normalmente.
A mãe, Alana Vitória Barcelos, moradora de Macaé, no Norte do Estado do Rio, contou que a filha foi diagnosticada com má formação no coração após uma gripe e, em menos de um mês, passou pela regulação do SUS e realizou o procedimento no HFB. “Fui muito bem atendida. Os médicos da minha cidade já elogiavam muito essa equipe. O SUS oferece coisas que a gente não teria condições de pagar. Além disso, tenho certeza que essa rapidez que tive aqui não teria em plano nenhum, afirmou.
Uma semana depois, no dia 20 de outubro, a equipe do serviço de hemodinâmica também devolveu vida normal a mais uma criança com doença congênita cardíaca. Dessa vez, foi Daniel de Melo, de dois anos, passar pelo mesmo processo de fechamento por técnica percutânea.
A mãe do menino, Érica de Melo, moradora de Guapimirim, na Baixada Fluminense, relatou a emoção ao ver o filho curado. “Perdi meu primeiro filho com o mesmo problema. Mas, graças a Deus e aos médicos daqui, meu segundo filho foi salvo”, disse emocionada.
Depois de colocada a prótese, os especialistas explicam que o acompanhamento é bem simples: “duas semanas após a cirurgia, a criança volta aqui para fazer uma revisão do curativo na perna. Depois, de acordo com cada paciente, é feito um acompanhamento, que começa mensalmente e depois passa a ser anualmente”, disse Dr. Bernardo.
De acordo com o Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) do HFB, a aquisição das próteses para o fechamento percutâneo do canal arterial foi adquirida por meio de licitação e trouxe um impacto bastante positivo. “Foi um processo legal, transparente e rápido. Por se tratar de um material de alto custo, é necessário seguir todas as etapas de licitação, mas o GHC conseguiu agilizar o trâmite, algo que antes poderia levar até um ano. Além disso, o custo do tratamento acaba sendo revertido em economia para o hospital, já que o tempo de internação é menor, pois o paciente recebe alta já no dia seguinte”, explica a chefe do SADT, Ainá Melgaça, acompanhada da chefe de Divisão Márcia Jeske.
Formação de especialistas e impacto nacional
Atualmente, no Estado do Rio de Janeiro, além do HFB, somente dois hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) realizam esse procedimento de elevada complexidade para pacientes com essa patologia congenita: o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) e o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE).
Além da complexidade técnica, a realização do procedimento depende de mão de obra altamente especializada. Segundo a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, há cerca de 70 médicos com essa formação no Brasil. No Estado do Rio, apenas quatro atuam na área, sendo dois no HFB.
O HFB/GHC também é um dos poucos no país a manter um serviço robusto de residência em cardiologia pediátrica, o que contribui para a formação de novos profissionais. “Temos um grande volume de atendimentos, o que justifica a manutenção de um serviço completo aqui. É uma especialidade rara e essencial”, ressalta Andrade.
O HFB/GHC conta ainda com um serviço integrado de cardiologia pediátrica, medicina fetal, maternidade de alto risco e acesso a terapias percutâneas, assegurando abordagem abrangente e contínua aos pacientes que têm problemas cardíacos congênitos.
Créditos: Texto: Mariléa Lopes / Fotos: Assessoria de Comunicação/HFB