O Hospital Fêmina (HF), referência no atendimento à saúde da mulher, inaugurou, nesta sexta-feira, 5 de dezembro, seu Banco Vermelho, um símbolo de enfrentamento à violência de gênero. O equipamento é uma intervenção artística urbana, semelhante a um banco de praça, na cor vermelha, simbolizando o sangue das vidas perdidas pelo feminicídio, mas também o sinal de “PARE”. Seu objetivo é chamar a atenção da sociedade para o problema da violência contra as mulheres e o feminicídio, promovendo maior sensibilização e reflexão.
Para a diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, debater o tema num espaço que cuida da saúde da mulher é fundamental tanto para a conscientização das usuárias quanto para que os próprios profissionais de saúde verifiquem suas práticas nas relações de trabalho e na relação com as pacientes. “Precisamos fazer essa reflexão para não reproduzirmos violência no ambiente de saúde”, afirmou. A diretora também ressaltou o posicionamento do governo federal e do GHC, enquanto empresa pública federal, no enfrentamento à violência contra a mulher. “Enxergamos a saúde para além da doença, como resultado de relações sociais”, afirmou.
O diretor Administrativo e Financeiro do GHC, João Motta, citou o livro “A condição humana”, onde a escritora e filósofa judia Hannah Arendt afirma que o fim da liberdade dos indivíduos é um elemento presente em todas as sociedades totalitárias. “E é disso que se trata a violência contra a mulher, negando-se a liberdade ao trabalho, ao amor, à vida”, destacou. “O homem, quando não aceita a opção da sua companheira, está aniquilando a liberdade dela e, mesmo sem se dar conta, se aniquilando enquanto ser humano”, acrescentou.
Gerente de Internação do Hospital Fêmina, Niva Martinez enfatizou que a unidade hospitalar sempre foi um espaço de acolhimento às mulheres, com portas abertas 24 horas por dia. “Muitas vezes, somos o primeiro e, não raras vezes, o único local procurado quando as mulheres sofrem violência. Isso nos coloca diariamente em contato com essa realidade tão dura”, afirmou, lembrando que, desde 2014, o Fêmina é um hospital referência para vítimas de violência sexual, realizando o acolhimento e encaminhamento das pacientes de forma humanizada, conforme preconiza o Ministério da Saúde.
Cláudio Silva, gerente de Administração do Fêmina, destacou a fala do presidente Lula, no dia anterior, convocando os homens para que também atuem na luta pelo fim da violência contra as mulheres. Já a coordenadora da Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência (Re-Humam) do GHC, Débora Abel, enfatizou que o Grupo reafirmou seu compromisso com a sociedade ao estruturar o Re-humam e se comprometer com o feminicídio zero.
Também participaram da inauguração a promotora de Justiça no Ministério Público do Estado do RS, Ivana Battaglin; a jornalista e militante contra o feminicídio Télia Negrão, a vereadora Jane Pillar, a representante do Conselho Gestor do HF Élida, trabalhadores, voluntários e pacientes do Hospital Fêmina. O evento ainda contou com apresentações musicais do Coro Duo Entes e do Coro Sonora Gente.
Este é o segundo Banco Vermelho do GHC, que inaugurou um banco gigante em setembro no Hospital Nossa Senhora da Conceição, com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O objetivo da instituição é garantir que todas as suas unidades contem com o equipamento, estimulando o engajamento da comunidade no combate à violência, criando espaços de diálogo e apoio e contribuindo para a mudança de atitudes e de comportamentos.
Créditos: Ana Luiza Godoy