Desde março de 2024, 1.003 mulheres vítimas de violência passaram pela porta da Emergência do Hospital Cristo Redentor (HCR), foram acolhidas pela equipe e encaminhadas para a Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência (Re-Humam). Para contribuir com o enfrentamento à violência de gênero, o GHC vem promovendo uma série de iniciativas. Nesta sexta-feira, 12 de dezembro, em frente à emergência do HCR, o Grupo inaugurou o seu terceiro Banco Vermelho, intervenção artística semelhante a um banco de praça, na cor vermelha, simbolizando o sangue das vidas perdidas pelo feminicídio, mas também o sinal de “PARE”. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para o problema da violência contra as mulheres e o feminicídio, promovendo maior sensibilização e reflexão.
Emocionada, a diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Reis Nothen, compartilhou que, durante sua trajetória, presenciou de perto mulheres serem estigmatizadas, enquanto tentavam apenas sobreviver, sem apoio algum, e que essas experiências moldaram sua visão sobre cuidado e sobre as violências que antecedem a agressão física. “Eram mulheres que só tentavam sobreviver às próprias crises, sem emprego e sem escola em turno integral para auxiliar o cuidado com as suas crianças”, exclamou.
A diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, ressaltou que a violência extrema só existe porque as práticas de opressão são naturalizadas no dia a dia, e defendeu que a sociedade precisa agir, e não apenas refletir, para transformar essas relações. “A gente precisa de políticas públicas que reafirmem esse espaço da mulher, porque ter liberdade é ter condição de ir e vir, ter trabalho e ter independência”, afirmou.
O diretor Administrativo e Financeiro do GHC, João Motta, destacou que a violência contra a mulher está ligada a uma visão de mundo machista, racista e homofóbica, e reforçou que políticas públicas são essenciais para garantir proteção e fortalecer a cidadania prevista na Constituição.
Representando o HCR, estiveram presentes a gerente das Unidades de Internação, Fernanda Zanotto, e o gerente de Administração, Carlos Roberto da Silva Xavier. Em sua fala, Zanotto reforçou a importância em abordar a dificuldade de sair de uma situação de violência, e que o apoio sem julgamento é essencial para fortalecer as mulheres e ajudá-las a romper o ciclo. Xavier complementou afirmando que a violência contra a mulher não pode mais ser normalizada e que o hospital tem a responsabilidade de acolher, conscientizar e afirmar que não tolera nenhuma forma de agressão.
A coordenadora da Re-Humam, Débora Abel, frisou que a violência contra a mulher nasce nas relações diárias, muitas vezes, em atitudes silenciosas que passam despercebidas e que é preciso agir, continuamente, para romper esse ciclo e criar uma sociedade mais justa e igualitária.
A deputada federal Denise Pessoa, destacou a importância do projeto. “O GHC reafirma seu compromisso com a sociedade ao fortalecer a Re-Humam e ao se engajar, publicamente, na luta contra o feminicídio zero. Isso também é fazer saúde, porque entendemos que a saúde é acima de tudo poder viver sem medo”, afirmou.
O ato de inauguração do Banco Vermelho do HCR teve também um momento cultural. Sônia Bispo cantou duas canções e Simone Ribeiro declamou poesias. Ambas são trabalhadoras do GHC.
Saiba mais
Este é o terceiro Banco Vermelho do GHC. Em setembro, foi inaugurado um banco gigante no Hospital Nossa Senhora da Conceição, com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O segundo, foi inaugurado no Hospital Fêmina, no dia 5 de dezembro. Com essas instalações e a criação da Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência (Re-Humam), o Grupo Hospitalar Conceição assume, mais uma vez, seu compromisso com a promoção dos direitos das mulheres e a não tolerância com as violências baseadas em gênero.
Créditos: Textos e fotos: Rafael Macchi