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05.03.2012 DIAGNÓSTICO

GHC oferta às gestantes teste que identifica traço falciforme

Desde 1º de março, mulheres grávidas atendidas na instituição podem fazer o exame de Eletroforese de Hemoglobina. Doença falciforme é genética, acometendo,
em sua maioria, pessoas negras
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Lançamento da oferta do exame marcou início das atividades do Mês da Mulher no GHC.

Abrindo as atividades do Mês da Mulher, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) promoveu, no dia 5 de março, no auditório do Instituto da Criança com Diabetes (ICD), o lançamento da oferta do exame de Eletroforese de Hemoglobina a todas as gestantes atendidas na instituição. Desde o dia 1° de março, os hospitais Conceição e Fêmina estão oferecendo esse teste.

A iniciativa é da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir-GHC), que foi protagonista no incentivo para que a solicitação do exame, que identifica o traço falciforme e outras hemoglobinas variantes, se tornasse efetiva no Grupo. Tem o apoio do Comitê Técnico de Saúde da População Negra, dos serviços de Obstetrícia, da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade de Gênero e da diretoria do GHC.

Conforme a coordenadora do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do GHC, farmacêutica bioquímica Mara Lane Zardin, a importância dessa ação é possibilitar que a doença falciforme seja diagnosticada com antecedência. Ela conta que foi uma conquista para todo o Grupo, uma luta de anos. O superintendente do GHC, Carlos Eduardo Nery Paes, presente no evento, disse estar satisfeito com a realização do exame nos dois maiores centros de obstetrícia do Estado.

A doença falciforme ataca os glóbulos vermelhos, que transportam o oxigênio aos órgãos e tecidos. As células vermelhas do sangue, que são arredondadas e elásticas, assumem forma de foice e se tornam rígidas, dificultam a passagem pelos vasos sanguíneos, o que implica fortes dores, principalmente nos músculos e nos ossos. A doença pode levar o paciente a sofrer acidente vascular cerebral (AVC), infarto pulmonar e muitas outras complicações.

A mutação genética surgiu na África e na região do Mar Mediterrâneo e atinge em sua maioria negros, mas também é bastante presente na descendência italiana. Estimativas apontam que, a cada mil brasileiros, um é portador de doença falciforme. No Rio Grande do Sul, em cada 62 pessoas, uma carrega o gene da doença falciforme, o que é chamado de traço falciforme.

O doente pode ter o gene modificado, mesmo sendo saudável. Quando uma pessoa que tem o traço da doença falciforme e tem um filho com outro indivíduo também possuidor do traço, essa criança pode manifestar a doença em sua forma mais grave.

A doença falciforme pode ser diagnosticada com o teste do pezinho, logo após o nascimento do bebê, o exame é considerado obrigatório e feito gratuitamente na rede pública de saúde. Já crianças e adultos podem descobrir se são possuidores do traço da doença pelo exame de Eletroforese de Hemoglobina. Esse teste é feito com uma coleta normal de sangue e realizado no setor de Bioquímica do Laboratório Central do Hospital Conceição.

Apesar da natureza geralmente benigna do traço falciforme, há uma série de complicações clínicas que podem ocorrer como o carcinoma medular renal, que é um tumor raro e agressivo e que acontece quase que exclusivamente em pessoas jovens com traço falciforme, e a maior frequência de infecção urinária. Alguns estudos sugerem que a pré-eclâmpsia pode ser mais comum em traço falciforme e ela é a maior desencadeadora de morte materna no Brasil.

Créditos: Árthur Ribeiro (Foto)