Mais do que esclarecer questões relativas à gestão do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a audiência pública promovida pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, realizada na manhã desta quarta-feira (22), no Teatro Dante Barone, serviu para alertar deputados e a sociedade de maneira geral sobre a utilização equivocada de informações e as consequências das mesmas para os Usuários do Sistema Único de Saúde. O debate, coordenado pelo presidente da Comissão, deputado Adilson Troca (PSDB), teve a participação de diversos deputados, que ressaltaram a importância do GHC para a saúde tanto dos moradores de Porto Alegre e Região Metropolitana quanto dos diversos municípios do Rio Grande do Sul.
O diretor-superintendente do GHC, Carlos Eduardo Nery Paes, rebateu as acusações apresentados pela Associação de Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (Aserghc) e alertou a população sobre as informações equivocadas em relação à presença de bactérias na instituição. “Tivemos uma queda no atendimento da emergência em função das informações distorcidas que têm sido divulgadas”, afirmou Nery, ressaltando que bactérias encontrados no Hospital Conceição não são privilégios do Sul do Brasil, nem dos hospitais públicos.
O presidente do Sindsaúde/RS, Gilmar França, considera um crime divulgar falsos dados para aterrorizar a população. “Os números levantados pela Associação estão errados. Dos 180 leitos da UTI da emergência, apenas 30 estão ocupados por esse motivo”, disse. Já o representante do Conselho Nacional de Saúde, Valério Lopes, lembrou que o SUS foi uma construção dos trabalhadores e dos usuários e acredita que o importante é reforçar essa aliança. “A quem interessa desmontar o Sistema Único de Saúde e o Conceição?”, questionou.
Em relação às denuncias da Aserghc sobre salários diferenciados, o superintendente do GHC afirmou que a matéria foi analisada e arquivada pelo Ministério Público do Trabalho por falta de fundamentação legal. “Não existe nenhum apontamento dos órgãos de fiscalização e todos os salários e contratos estão em nosso Portal da Transparência. Caso exista recomendações da CGU, o Grupo irá adotar as medidas necessárias", argumentou Nery.
O diretor administrativo e financeiro Gilberto Barichello e o gerente de Apoio às Unidades Hospitalares, Gerson Almeida, também utilizaram a tribuna em nome da direção do GHC. Barichello informou que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou recentemente as contas de 2010 do Hospital Conceição. Gerson Almeida manifestou preocupação com movimentos e denuncias que servem para acabar com a saúde pública e ao mesmo tempo reforçam a privatização da mesma. Já a Aserghc convidou o servidor Gilson dos Santos e o ex-servidor do GHC, Nadir da Rocha, para utilizarem a tribuna em nome da Associação.
Manifestaram-se durante a audiência os deputados Pedro Pereira (PSDB), Dr. Basegio (PDT), Gilmar Sossela (PDT), Adão Villaverde (PT), Jeferson Fernandes (PT), Stela Farias (PT), Edegar Pretto (PT), Frederico Antunes (PP) e Nelson Härter (PMDB). A promotora do Ministério Público Estadual, Marinês Assman, defendeu mais recursos do governo federal para a saúde. Assim, segundo a promotora, não se precisaria recorrer à terceirização. Representando o Ministério Público Federal, a promotora Suzete Bragagnolo afirmou que recebeu informações e que o hospital poderá contratar servidores para a higienização dos setores mais críticos.
Créditos: Alexandre Costa (mtb-7587)