Foi um dia de festa. Até o tempo estava a favor. Neste 5 de julho, apesar de inverno, o sol brilhou num calor primaveril. Na enfermaria do 2º Anexo do Hospital Criança Conceição, médicos, equipe de enfermagem e assistentes sociais enfeitaram o setor com balões coloridos, num clima de muita animação. A festa era para celebrar uma despedida, não uma despedida triste, mas uma despedida de alegria, de conquista, de vida. Ana Luiza foi pra casa. A menina que, desde o dia do nascimento, em 1º de abril de 2009, viveu no HCC teve alta após quatro anos.
Vencedora, Ana Luiza Porto de Borba nasceu em Esteio portadora de uma má formação rara, a gastrosquise, ou seja, com o intestino fora do abdômen. No mesmo dia, foi transferida para o HCC, passando por cirurgia para salvar a parte viável do intestino, o que caracterizou a síndrome do intestino curto e, consequentemente, a síndrome da má absorção. Por isso, a menina se alimenta somente por vias parenteral e enteral. Durante a internação, passou também por vários tratamentos com antibióticos para evitar a infecção.
Após período de internação na UTI, a primeira conquista, a ida para a enfermaria. Depois, há cerca de dois anos, começou o processo gradativo de retorno para casa, com saídas uma vez por semana, três e, mais recentemente, todos os dias, voltando à noite para o hospital. A alta foi possível porque a família conseguiu na justiça o direito de ter home care, assim, Ana Luiza terá em casa a assistência de médicos e de equipe de enfermagem. Ela também ficará vinculada ao ambulatório de Gastroenterologia do hospital.
Apesar das dificuldades e limitações impostas pelo problema de saúde, Ana Luiza é uma menina esperta e brincalhona. “Ela é uma criança normal cognitiva e emocionalmente”, diz a pediatra Alice Hoefel. A médica conta que foi feito um trabalho multidisciplinar no atendimento a Ana. “Todo hospital cuidou dela, todo mundo foi um pouco mãe dela”, comenta. Conforme Alice, a disposição da garota é surpreendente, destacando também a força e o desejo de esperança da mãe. “Tudo vai pelo caminho da saúde”.
A mãe de Ana, Ketrin Rodrigues Porto, preparou-a para a hora de dar tchau. Banho tomado, cabelo enfeitado e a menina está pronta. “Nem acredito que ela está indo embora”, comemora Ketrin, que já deu uma irmãzinha para Ana, a pequena Laura, de seis meses. Animada, Ana Luiza corre pela enfermaria, é disputada para fotos por toda a equipe do setor e, claro, não foi pra casa sem presentes. Faltaram bracinhos para segurar tantos brinquedos.
Créditos: Andréa Araujo (Texto). Maitê Martin (Fotos)