O sorriso no rosto dos pequenos pacientes foi a maior recompensa que os sete integrantes do Circo Nacional da China conquistaram durante a visita ao Hospital Criança Conceição, na tarde ensolarada da terça-feira, dia 5 de novembro. Com mais de 50 anos de trajetória, o grupo está em Porto Alegre para apresentar o premiado espetáculo “A Bela Adormecida”, ausente no país desde 2008.
O Circo Nacional da China é uma das companhias circenses mais respeitadas no mundo, com especialistas em equilíbrio, contorcionismo e força. Os integrantes têm entre 13 e 20 anos e começaram a treinar com cinco anos de idade. Para ingressar no circo, é preciso um treinamento de quase dez anos. O elenco, que também conta com profissionais convidados da Rússia e da França, é formado por 34 integrantes. Para praticar a arte, os estudantes chineses são convidados a estudar, treinar e morar na escola mantida pelo circo nacional.
Leia a entrevista de Camila Machado, produtora responsável pela turnê do Circo Nacional da China, concedida ao jornalista Alexandre Costa
A visita ao Hospital da Criança Conceição faz parte de um programa de valorização dos aspectos sociais?
O Circo Nacional da China valoriza os aspectos sociais e a realidade das cidades por onde passa. As visitas a hospitais são habituais, e eles sabem a importância disso, até pela questão das crianças estarem passando por uma dificuldade, que é estar doente.
Quantos componentes têm o circo nacional da China?
Essa turnê conta com 34 integrantes ao todo. Desse total, 28 são acrobatas, além do pessoal da produção. Hoje, trouxemos sete artistas. A mais nova do grupo tem 13 anos de idade e o acrobata mais velho tem 27 anos. Uma média entre 17 e 25 anos.
Essa é uma idade escolar, como fazem para conciliar seu trabalho com os estudos?
A cultura chinesa é diferente, então o estudo é diferente. Esses artistas entram para a escola de acrobatas, que é formada por esportistas, já aos três anos de idade. Então a vida deles é resumida a essa escola. Eles não têm a mesma formação, aprendem o básico em relação aos estudos e têm muitas atividades relacionadas à parte esportiva.
E como se dá a questão familiar? Eles ficam distantes dos seus familiares? Por quanto tempo ficam em viagens?
Durante as turnês fica um pouco mais difícil manter contato com a família. É tudo pela internet. Por isso, não pode faltar conexão. Eles estão sempre on-line e isso é algo muito importante para manterem contato com seus familiares e amigos. Quando estão na China, eles têm uma carga de treinamento muito grande, em média de seis a oito horas por dia. Estão acostumados com a falta de convivência.
A equipe de vocês está acompanhando o trabalho deles aqui no Brasil, desde o dia 9 de setembro. Durante esse período de convivência, o que mais chama a atenção em termos de comportamento e atitudes?
É um grupo muito animado, brincam bastante, são bem-humorados. Temos uma grande dificuldade em relação à linguagem, pois só falam mandarim e muito pouco de inglês. Dos 34 integrantes, só um fala inglês e outro fala português. Mas eles têm humor, ficam na base da mímica, é muito bacana.
E como eles veem a questão das visitas aos hospitais? Como lidam com isso? Como interpretam?
Eles entendem a responsabilidade que têm como artistas, são preparados para isso. Às vezes, dizem que são um pouco frios, mas isso acontece porque a cultura deles é diferente. Nós, brasileiros, gesticulamos muito, falamos muito. O trabalho deles requer alta concentração.
Créditos: Alexandre Costa (mtb-7587)