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27.01.2014 ESPECIAL

Vida das cinzas da boate Kiss

Quando os sobreviventes da boate Kiss chegaram nas emergências do Cristo Redentor e do Conceição, a cirurgiã plástica Maria da Graça Costa expressou o sentimento dos que os atenderam no GHC: “Eram meninas e meninos tão lindos, com a idade de 20 anos, pouco mais, pouco menos. Nunca os esquecerei’
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Jéssica, depois de passar por quatro cirurgias no Hospital Cristo Redentor.

Mistura de Cléo Pires e Julia Roberts, Jéssica Duarte da Rosa é a demonstração da juventude das vítimas da tragédia. Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, dançava na área VIP da boate Kiss quando a festa transformou-se num inferno de chamas e fumaça tóxica. Ela e seu noivo Bruno Portella Friks desmaiaram, e o tempo que permaneceram assim quase foi fatal. Os dois foram transportados de Santa Maria para Porto Alegre por helicópteros da Força Aérea Brasileira. Ele para o Clínicas. Ela para o Cristo Redentor, onde, após o coma, ficou mais um mês na UTI. Naquele período, seu amado Bruno, namorado desde os 15 anos, faleceu. Foi em 2 de fevereiro, data que comemoraria o início do namoro com Jéssica.

A saga de Jéssica

Devido às severas queimaduras que atingiram metade do corpo, Jéssica foi submetida a quatro cirurgias pela médica Maria da Graça, responsável técnica da Unidade de Queimados. Dois meses depois, suspendeu a matrícula na faculdade de Administração da Federal de Santa Maria e viajou para Curitiba, onde reside na região metropolitana com seus pais, Regina Duarte e Cláudio Forgirini, e o irmão de dois anos, Guilherme. Reaprendeu a falar, a caminhar e, um ano após a tragédia da boate Kiss, ainda faz fisioterapia diariamente. Devido à fumaça tóxica, submete-se a reabilitação pulmonar com um pneumologista e tratamento psicológico uma vez por semana. As cicatrizes emocionais são as mais dolorosas, e Jéssica luta para conviver com elas. Neste janeiro de 2.014, foi aprovada em três vestibulares para Fisioterapia. Assim, começou a cursar a faculdade em Curitiba. Dentro de dois meses, retornará ao Cristo Redentor para quinta cirurgia com a médica Maria da Graça.

Dói, dói, dói

Outra decisão foi criar na internet a página intitulada Força deViver, onde recorda seu amor por Bruno, escrevendo textos que a todos emocionam. Lembram os de Walcyr Carrasco, o diretor da novela Amor à Vida. Segundo a psicóloga Maristela Costa Leivas, quem vive uma tragédia como a da Boate Kiss pode sentir a necessidade de falar, repetir ou escrever, buscando um efeito descarga.

“Tentei disfarçar essa dor que carrego. Fingi não escutá-la. Os meus sonhos contigo resolvi ignorá-los. Sabes o que é isso? Um ano sem te ver, sem te tocar, sem te beijar, sem escutar tua voz sussurrando ao meu ouvido. Dormir todas as noites sem te dar boa noite. Sonhar contigo, acordar feliz e logo levar um susto, pois era só sonho e não te verei. O que faço? Às vezes, penso como tive sorte em conviver contigo durante cinco anos. Outras vezes, lamento minha falta de sorte por ter te perdido. Dói, Dói, Dói.”

Créditos: Por Jorge Olavo de Carvalho Leite