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13.08.2014 EPIDEMIA

Hospital Conceição é referência para tratamento dos casos de vírus ebola no RS

A Organização Mundial da Saúde decretou emergência sanitária internacional em função da epidemia que causou a morte de mais de mil pessoas e de 1,8 mil casos confirmados na África. O Ministério da Saúde indicou o Hospital Conceição, no Estado, como referência para o tratamento de pessoas contaminadas e de casos suspeitos. Os procedimentos a serem adotados, já definidos, fazem parte do protocolo elaborado pelo Controle de Infecção Hospitalar da instituição
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EPIs a serem utilizados pelos profissionais de saúde no atendimento dos casos.
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Profissionais do GHC na videoconferência.
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Representantes da Saúde de todo o país participaram da reunião.
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Gestores acompanharam a apresentação do MS.

O Hospital Conceição (HNSC), indicado como referência pelo Ministério da Saúde no Rio Grande do Sul para tratamento dos casos de vírus ebola, concluiu a norma técnica a ser seguida pelas equipes de saúde da instituição, bem como o fluxo interno do paciente desde a chegada até o leito. O local de internação também já está definido. Será um quarto de isolamento com antessala, localizado no posto de enfermagem 3ºC1, além de um box na UTI. O “Protocolo de Vigilância e Manejo de Casos Suspeitos de Doença pelo Vírus Ebola”, elaborado pela equipe do Controle de Infecção Hospitalar do HNSC, tem como base o protocolo do Ministério da Saúde com adequações para o hospital. Esses protocolos prevêem medidas de precaução e controle, isolamento, diagnóstico laboratorial, transporte de pacientes, processamento de roupas, higienização, nutrição, demais exames e tratamento.

O Ministério da Saúde afirmou que não há casos de brasileiros contaminados pelo vírus, que já provocou a morte de 961 pessoas na África Ocidental, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a decretar estado de emergência sanitária internacional. O Brasil não restringiu viagens, mas recomendou que se evite o deslocamento para áreas rurais nos países de risco e o contato com animais ou pessoas doentes. As mortes pelo vírus ocorreram em Serra Leoa, Guiné, Libéria e Nigéria. Mesmo que exista risco da chegada do ebola ao país, as autoridades sanitárias são unânimes em afirmar que as chances de um surto são muito pequenas, principalmente em virtude de a contaminação pressupor contato com fluidos corporais do doente.

Nessa terça-feira, 12 de agosto, profissionais do Conceição participaram de uma videoconferência com o MS e representantes de secretarias municipais e estaduais de saúde e de hospitais de referência de todo o país a fim de organizarem e prepararem o atendimento a possíveis casos do vírus no Brasil. Na ocasião, agentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Força Nacional do SUS e do Programa SOS Emergências expuseram a situação da epidemia hoje na África, a ação do vírus e o plano do Ministério da Saúde para o país. Eles também tiraram dúvidas das equipes. Nessa reunião, foram definidos os seguintes focos da ação:

Caso suspeito: indivíduos procedentes, nos últimos 21 dias, de país com transmissão atual de ebola (Libéria, Guiné, Serra Leoa, Nigéria e Mali) que apresentem febre de início súbito, podendo ser acompanhada de sinais de hemorragia.

Caso confirmado: caso suspeito com resultado laboratorial conclusivo para ebola, realizado em laboratório de referência.

Contactante: indivíduo que teve contato com sangue, fluido ou secreção de caso suspeito, ou dormiu na mesma casa; contato físico direto com casos suspeitos; contato físico direto com corpo de casos suspeitos que foram a óbito (funeral); contato com tecidos, sangue ou outros fluidos durante a doença; contato com a roupa ou roupa de cama de casos suspeitos; ter sido amamentado por casos suspeitos.

Caso provável: caso suspeito de viajantes ou profissionais de saúde provenientes desses países e que apresentem histórico de contato com pessoa doente, participação em funerais ou rituais fúnebres de pessoas com suspeita da doença ou contato com animais doentes ou mortos.

Durante a reunião, também foi definido que a aquisição dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários aos profissionais de saúde ficará a cargo de cada instituição. Para as equipes do Samu, que farão o transporte do pacientes, os EPIS serão fornecidos pelo Ministério da Saúde.

O diretor Técnico do GHC, Paulo Bobek, reiterou a importância das iniciativas do Ministério da Saúde, no sentido de organizar equipes e preparar os profissionais de 38 hospitais do país para receber pacientes com suspeita ou contaminados. “O GHC tem sido apontado como referência em outras ocasiões como foi o caso da gripe aviária, do H1N1, além da participação em missões da Força Nacional do SUS, criada pelo Ministério da Saúde com o auxílio do GHC, com profissionais especializados no atendimento a vítimas de desastres naturais, calamidades públicas ou situações de risco epidemiológico que exijam uma resposta rápida, apoio logístico e equipamentos de saúde”, explicou. Paulo Bobek ressaltou ainda a atuação do GHC no atendimento às vítimas do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, e em catástrofes naturais em diversos locais como Timor Leste, Haiti, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Lourenço do Sul e Mato Grosso.

No dia 6 de agosto, o médico epidemiologista Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, conversou, via teleconferência, com representantes das secretarias estaduais e diretores de hospitais de referência. “Nós, do ministério, participamos de um grupo da Organização Mundial de Saúde e recebemos, diariamente, relatórios com casos no mundo. São alertas, de fontes oficiais, que nos ajudam a compreender o problema”, explica Barbosa. Semanalmente, um comitê formado por 15 pessoas se reúne em uma sala do bloco G da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para discutir o conteúdo desses alertas e avaliar riscos no país.

O VÍRUS

O vírus ebola foi descoberto na década de 70, na África, mais especificamente em 1976, quando aconteceu o primeiro caso no Zaire. O indivíduo teve uma doença que evoluiu para choque e sangramento e, quando foram avaliar o que estava acontecendo com ele, perceberam que era um vírus desconhecido, que mais tarde foi batizado de ebola. Já houve alguns surtos de ebola no mundo, mas ele estava relativamente controlado, voltando a aparecer agora em uma nova epidemia em um local de extrema pobreza, más condições de higiene e de atendimento médico.

Geralmente os sintomas começam a aparecer entre oito e dez dias depois da contaminação e o principal sintoma é a febre alta. Portanto, é uma doença febril. Com o tempo, começam as dores no corpo, dor de cabeça, dor muscular, vômitos, diarreia líquida, dor na barriga, queda da pressão e, por fim, os choques. Mas quando chega nessa etapa, o individuo já perdeu o funcionamento do fígado e dos rins.