Em referência ao Dia Nacional de Doação de Órgãos, 27 de setembro, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação e Órgãos e Tecidos para Transplantes do Grupo Hospitalar Conceição (Cihdott/GHC), realizou na tarde desta quinta-feira, 18 de setembro, um ciclo de palestra sobre o tema. Com a finalidade de esclarecer as dúvidas que envolvem todo o processo, a comissão propôs um momento de reflexão e debate para os funcionários do GHC e demais profissionais da saúde. Sob a coordenação da Cihdott, os palestrantes foram o médico cirurgião da equipe de transplante renal da Santa Casa André D’Ávila, a enfermeira e membro da Cihdott do Hospital Cristo Redentor Sue Helen Barreto Marques e o enfermeiro e membro da Cihdott do Hospital São Lucas da PUC e da Organização de Procura de Órgãos (OPO2) Dagoberto Rocha. O foco da iniciativa foi apresentar o que é necessário saber sobre o assunto. A principal orientação é conscientizar as pessoas da importância de manifestar em vida o interesse em ser doador e comunicar a família sobre a decisão, pois é ela quem autoriza ou não que os órgãos sejam doados em caso de óbito.
Os convidados também explicaram que atualmente a legislação brasileira não obriga mais o cidadão a declarar formalmente em cartório ou documento de identidade seu desejo em relação ao ato, o que ficou conhecido como doação presumida. Hoje cabe aos parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmão, filho, cônjuge) a decisão – doação consentida. Os exames de compatibilidade clínica só são realizados mediante essa autorização, e, por isso, é necessário dialogar sobre o assunto e orientar os familiares e amigos, pois embora esses últimos não respondam oficialmente podem influenciar na decisão pós-morte, afirmaram os palestrantes.
Abordagem e conscientização
De acordo com o vice-presidente da Cihdott, Alex Pires da Silva, ainda se carece de muita informação. “Existe uma questão cultural problemática de se falar em morte no Brasil”, explica. O presidente da Cihdott/GHC, Augusto Capeletti, acrescentou que falta consciência coletiva. “Quando a família autoriza a doação de órgãos, está melhorando a qualidade de vida de até seis pessoas e prolongando a vida em até 50 anos”, completou.
A enfermeira Sue Helen lembrou que manter a família do paciente integrada de forma correta, ou seja, acolhendo e permitindo que acompanhe o diagnóstico e tratamento, é um passo fundamental para estimular a autorização para doação de órgãos. A abordagem feita pela equipe do hospital busca sempre se adequar à situação de cada paciente, sendo realizada por meio de entrevista técnica com a família e atendendo a critérios específicos de cada caso.
HCR é principal captador
Em alusão ao mesmo tema, ontem, 17 de setembro, o HCR recebeu a coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, Rosane Nothen, para uma conversa no auditório com médicos e coordenadores intensivistas sobre o panorama geral do estado em captação e doação de órgãos. O HCR é o principal captador de órgãos do Rio Grande do Sul, estando acima da média do estado. Desde 2009, o GHC é referência em captação de órgãos e tecidos para transplantes e tem um quorum de 82% de funcionários declarados doadores. O diretor técnico do GHC, Paulo Bobek, e o gerente de Internação do HCR, Walter Broock, estiveram presentes neste evento.
Créditos: Mariana Ribeiro