Um tema que divide opiniões e que pode salvar vidas. O 10º Encontro das Cihdotts (Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante), realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC) trouxe, nesta edição, “A interferência da religiosidade no processo de doação de órgãos” como proposta de debate. As Cihdotts dos hospitais Cristo Redentor, Nossa Senhora da Conceição, Criança Conceição e Fêmina promoveram a discussão sobre a influência da fé em decisões sobre a saúde que envolvam procedimentos mais invasivos, como o transplante. Para falar sobre a temática, representantes das religiões Adventista, Batista, Luterana, Espírita e Federação Afro-Umbandista participaram do evento.
Também compuseram a programação as palestras “Atendimento ao paciente transplantado – acompanhamento ambulatorial”, com o médico especialista em transplante Valter Duro Garcia, “Os fatores que impedem a doação de órgãos”, com a assistente social e membro da Cihdott/GHC Glacy Maria Piccinini, e “Doação e transplante em pacientes pediátricos”, com a médica Clotilde Druck Garcia. O evento teve a participação das Comissões dos hospitais Moinhos de Vento, Santa Casa, São Lucas da PUCRS, Hospital de Clínicas e da Escola Cristo Redentor. Estiveram presentes mais de 170 inscritos, entre profissionais de saúde dessas e de outras instituições, funcionários do GHC e público externo.
A coordenadora da Central de Transplantes do Estado do Rio Grande do Sul, Rosana Nothen, destacou que a captação vem evoluindo de maneira bastante satisfatória no estado, e que outubro obteve o melhor índice na Central, pois aumentou em 50% o número de doadores gaúchos. De acordo com ela, essa estatística é resultado do longo trabalho das campanhas de conscientização. Rosana frisou ainda a necessidade de tratar a doação de órgãos como uma questão de saúde pública.
O coordenador da Cihdott/GHC, Augusto Capelletti, lembrou que a décima edição do encontro é um avanço, pois desde a criação da comissão houve um processo constante de convencimento de pacientes, médicos e demais profissionais da saúde para lidar com essa questão. Capelletti também ressaltou que é um processo delicado e que se deve ter atenção com o momento correto de interferir para não prejudicar a possível doação.
O diretor técnico do GHC, Paulo Bobek, lembrou que o lema da Cihdott é “vida além da vida”, e elogiou a iniciativa de propor o foco na religião, pois considerou que ela pode proporcionar um apoio e não um impedimento no tratamento do paciente.
Também participaram da mesa de abertura o gerente de Pacientes Externos e presidente da Cihdott/HNSC, José Fossari, e a integrante do Conselho Gestor Maria Angélica Mello Machado.
O encontro ocorreu das 8h às 17h no Auditório João Daudt D’Oliveira, na sede do SESC Campestre, na Av. Protásio Alves, 6220, em Porto Alegre.
Créditos: Mariana Ribeiro