A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) promoveram a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição, realizada em Roma, de 19 a 21 de novembro. O objetivo foi abordar os múltiplos desafios que representa a má nutrição em todas as suas formar e determinar as oportunidades para fazer frente nas próximas décadas. Além disso, reafirmar o direito de todas as pessoas a ter acesso a alimentos saudáveis e nutritivos, em consonância com o direito a uma alimentação adequada e com o direito fundamental de toda pessoa a não padecer de fome.
O Brasil participou do evento enviando uma delegação composta por representantes de alguns ministérios, além de parlamentares das Frentes Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e da Agroecologia. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, falou em nome do governo brasileiro, no primeiro dia do encontro, ao lado dos organizadores da Conferência, o diretor-geral da FAO, Graziano da Silva, e a diretora-geral da OMS, Margareth Chan, sobre os fatores que levaram o Brasil a sair do Mapa da Fome da FAO: ter uma política pública de SAN com ênfase no DHAA, ter políticas em larga escala de saúde, educação, trabalho e proteção social, com atuação intersetorial e participação da sociedade civil.
O Papa Francisco participou da Conferência no segundo dia e destacou o direito à alimentação e a importância dos países atuarem mais fortemente no combate à fome de mais de 800 milhões de pessoas no mundo.
O secretário Arnoldo Campos, da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, representou o governo brasileiro no debate sobre prevenção e controle da obesidade e apresentou a Estratégia Brasileira de Prevenção e Controle da Obesidade, composta por ações para ampliar a oferta de alimentos saudáveis, de educação alimentar e nutricional, atenção nutricional na saúde e criação de ambientes que facilitem aos cidadãos a fazer escolhas alimentares saudáveis. O Brasil foi elogiado por vários países pelos seus avanços na área de alimentação e nutrição.
Durante o evento, foram apontados os seguintes encaminhamentos: avançar o debate no âmbito dos BRICS - haverá uma reunião de Ministros da Saúde em dezembro; manter as reuniões por videoconferência entre o Brasil e os países nórdicos e Alemanha - e demais países que organizaram esse evento paralelo - para avançar em pactuações para a criação de compromissos internacionais para a prevenção e controle da obesidade nos países.
O ministro Chioro e o secretário Campos participaram de audiências com a diretora-geral da OMS e o diretor-geral da FAO e levaram a proposta da Organização Mundial da Saúde a fazer parte do Conselho de Segurança Alimentar das Nações Unidas, a fim de fortalecer a interface das ações de nutrição no mundo. Da reunião com Margareth Chan, ficou acertado que a OMS incentivará os países a elaborarem guias alimentares de alimentação saudável, e o Brasil intensificará o apoio para o controle do Ebola. Já da reunião com Graziano da Silva, houve dois encaminhamentos: primeiro, o Brasil liderará a defesa para a OMS fazer parte do Conselho de Segurança Alimentar das Nações Unidas (CSA) nos fóruns do BRICS, CELAC e em atividade paralela da Assembleia Mundial da Saúde em 2015; segundo, a FAO solicitou apoio do Brasil para fortalecer a cooperação internacional em nutrição no âmbito da Organização, principalmente na América Latina.