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23.01.2015 DEIXANDO A DEPENDÊNCIA

Ambulatório de Tabagismo do HNSC tem capacidade ampliada

Medida visa combater a mortalidade por câncer de pulmão a longo prazo, integrando o Programa de Tratamento do Tabagismo a outras ações de prevenção e acompanhamento
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Médica Elaine Santos Segura explica a dinâmica do programa.
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Grupo se reúne semanalmente para terapia cognitiva comportamental.

“Minha mãe teve câncer, passou 115 dias internada na Unidade de Tratamento Intensivo e sofreu muito. Antes de morrer, já entubada, ela me pediu para largar o cigarro. Faz dois anos que tento atender ao pedido dela”. A diarista Ironi Sentena Severino, 58 anos, fumante desde os 12, foi encaminhada ao Programa de Tratamento do Tabagismo do Ambulatório de Tabagismo do Hospital Nossa Senhora da Conceição após um diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), uma enfermidade que causa bronquite e enfisema. No terceiro encontro do grupo, ela procura incentivo e força de vontade para deixar a dependência.

Para o professor de filosofia Diogo Lindner parar de fumar “tem que ser no susto, senão a gente não para”. Ele começou a fumar aos 12 anos de idade e aos 37 foi acometido por um pneumotórax espontâneo, um acúmulo de ar entre a pleura e o pulmão. Como o procedimento de drenagem não funcionou, Diogo teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar o ar acumulado na região e passou 15 dias entubado. Atualmente, faz quatro meses que parou de fumar. Para manter a motivação, ele também participa do Programa de Tratamento do Tabagismo do HNSC.

Esses dois casos são exemplos de uma realidade preocupante e que a cada ano vitima mais pessoas. As complicações pelo uso do cigarro são frequentes e podem comprometer gravemente a saúde, a exemplo do câncer de pulmão, um dos que mais mata e que em mais de 90% dos casos está relacionado ao ato de fumar. Recentemente, o Serviço de Pneumologia do Hospital Conceição lançou o protocolo de baixa dose para rastreamento do carcinoma brônquico, uma iniciativa pioneira no Sistema Único de Saúde que visa oferecer exames mais eficazes e menos agressivos para a detecção de nódulos cancerígenos. Em conjunto a isso, o Ambulatório de Tabagismo do HNSC ampliou em 50% sua capacidade de atendimento e, como parte das ações que objetivam diminuir a mortalidade, mantém o Programa de Tratamento do Tabagismo, cuja base é a terapia cognitiva comportamental em grupo.

O Programa está vinculado à Comissão de Controle do Tabagismo do Grupo Hospitalar Conceição e é dividido em duas etapas: quatro reuniões iniciais (primeira etapa) e quatro reuniões de manutenção (segunda etapa). O ingresso dos pacientes que desejam largar o cigarro é feito via encaminhamento das unidades de saúde do GHC ou via interconsulta, essa última para pacientes que já estão em acompanhamento dentro da instituição. Ao entrarem no Programa, os pacientes são avaliados clinicamente e, sendo necessário, é receitada medicação específica para auxiliar o tratamento. As consultas ambulatoriais continuam até que se complete um ano de abstinência.

Abordagem

As reuniões em grupos atuam como um espaço para os pacientes manifestarem o interesse em deixar a dependência e buscar ajuda terapêutica dentro do Programa. Os encontros são semanais e a abordagem das sessões é guiada pelo manual estruturado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). A dinâmica inclui a distribuição de materiais educativos, recursos como a leitura de histórias ilustrativas para provocar a identificação e o desabafo e a interação de questões trazidas pelos tabagistas em momentos de reflexão coletiva.

Também são esclarecidas dúvidas, como o mito de que fumar emagrece. O medo de engordar é uma das justificativas frequentes para os que ainda não pararam de fumar. De acordo com a médica clínica especializada em dependência química Elaine Santos Segura, que orienta esses grupos no Ambulatório de Tabagismo do HNSC, o ganho de peso fica na média de três quilos e, em de pouco tempo, o organismo se readapta e a pessoa volta ao peso normal. Ela também alerta para outra queixa bastante comum, o medo de se tornar ansioso. Do ponto de vista clínico, a ansiedade desenvolvida durante a abstinência pode estar relacionada a outros fatores além da ausência de nicotina, como transtornos psiquiátricos de ansiedade. Um comportamento bastante comum é a substituição, ou seja, sem as substâncias do cigarro para saciar a ansiedade, a pessoa consome comida em excesso, o que pode resultar em um ganho de peso acima da média dos três quilos, explica a médica.

Elaine também reforça que o desejo de parar de fumar tem que pesar mais que os motivos que levam a pessoa à dependência. Quem fuma tende a se defender inocentando o cigarro de não ser uma droga tão pesada quanto as outras. Um dos principais obstáculos, segundo ela, é a procrastinação, pois vai se tornando um hábito para o fumante adiar a data final do uso do cigarro para depois de uma semana, um mês, um ano, etc. A médica também faz um alerta para o risco de se ter uma recaída. “Se manter longe do cigarro é tão ou mais difícil que parar de fumar”, ressalta Elaine.

Unidades de Saúde do GHC

O Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição também mantém o Programa de Tratamento do Tabagismo, com grupos de cessação e manutenção, nas doze unidades de saúde que gerencia.

Uma equipe multidisciplinar de atenção primária oferece a todos os usuários fumantes uma possibilidade de ajuda, acompanhamento e tratamento para largar o tabagismo. A inscrição é espontânea e deve ser feita em uma das unidades de saúde da área de abrangência do usuário. O encaminhamento para o Programa varia de acordo com a necessidade e o histórico de cada pessoa.

Ao ano, são abertos de três a quatro grupos de reuniões de tratamento, com duração de seis semanas cada um, alternando entre encontros semanais ou quinzenais, dependendo da demanda.

Segundo a médica de família e comunidade Elisabeth Nader, coordenadora dos grupos de apoio a tabagistas na Unidade de Saúde Vila Floresta, é feita uma abordagem coletiva de análise comportamental e apoio terapêutico que inclui avaliação clínica, odontológica e de risco cardiovascular. Além disso, os usuários participantes do Programa de Controle ao Tabagismo também recebem acompanhamento nutricional e psicológico.

Leia mais no link abaixo.

http://www.ghc.com.br/noticia.aberta.asp?idRegistro=7854

Créditos: Mariana Ribeiro